Página Inicial | Seja Parceiro | Receba atualizações por e-mail
Assine nosso News Feed Rss e fique sabendo de nossas novidades
Análise do Livro | Audiobook | Biografias | Curiosidade | E-Book | Gerenciamento Pessoal | Livros Mais Vendidos | Opinião | Pensamento Filosófico

Opções

Menu

BlogBlogs Link com Qualidade

Parceiros

adrianobachega

Agregadores

Divulgue seu link no Link de Qualidade
LinkLog
Link com Qualidade
Uêba - Os Melhores Links
Está no seu momento de descanso né? Entao clique aqui!

Os Contos de Cantuária – Geoffrey Chaucer

Veja outras matérias sobre os assuntos: Análise do Livro, Geoffrey Chaucer, Literatura

lydgateThe Canterbury Tales (Os Contos da Cantuária, ou Os Contos de Canterbury, em inglês) é uma coleção de histórias (duas delas em prosa, e outras vinte e duas em verso) escritas a partir de 1387 por Geoffrey Chaucer, considerado um dos consolidadores da língua inglesa. Na obra, cada conto é narrado por um peregrino de um grupo que realiza uma viagem desde Southwark (Londres) à Catedral de Cantuária para visitar o túmulo de São Thomas Becket. A estrutura geral é inspirada no Decamerão, de Bocácio.
A coleção de personagens dos Contos da Cantuária é muito rica, com representantes de todas as classes sociais, e os temas são igualmente variados. Os contos estão recheados de acontecimentos curiosos, passagens pitorescas, citações clássicas, ensinamentos morais, relacionados à vida e aos costumes do século XIV na Inglaterra. Escrita em inglês médio, a obra foi importante na consolidação deste idioma como língua literária em substituição ao francês e ao latim, ainda utilizados na época de Chaucer em preferência ao inglês.

Sinopse

A obra descreve a trajetória de 29 viajantes que, saindo da pousada Tabard, dirigem-se à catedral da Cantuária a partir de Southwark, nas proximidades de Londres, com o objetivo de prestar homenagem ao santuário de São Thomas Becket, um bispo católico assassinado, em 1170, por partidários do rei Henrique II de Inglaterra.
Entre os componentes estavam um cavaleiro e seu escudeiro, um mercador em armas, monges, um frade mendicante, uma prioresa, pároco, um vendedor de indulgências, um estudante, alguns profissionais liberais (um médico, um advogado, um jurista), um moleiro, um feitor, um cozinheiro, um marinheiro, um carpinteiro, um tintureiro, um tapeceiro, um marujo, um lavrador e uma viúva de cinco maridos.
Durante a viagem os peregrinos iam sendo sorteados para que contassem histórias aos demais: relatos de amor, luxúria, sexo e morte, que teriam inspiração em Boccaccio e que apresentam a realidade social da Inglaterra do século XIV.

Manuscritos

Os Contos da Cantuária foram muito populares ao longo do século XV na Inglaterra, existindo atualmente 83 manuscritos medievais, dos quais vários estão completos. Nenhum deles é do punho do própro Chaucer. Uma versão famosa é o manuscrito Ellesmere, atualmente conservado na Califórnia, belamente decorado com iluminuras.
A primeira versão impressa dos Contos foi publicada em 1478 por William Caxton.

Análise

Os Contos de Cantuária denotam um ecletismo pouco comum para a época, para além de um indiscutível conhecimento da poética europeia, – podemos ver claramente traços da influência do «Decameron» de Boccaccio, da «Divina Comédia» de Dante e da lírica de Petrarca assim como dos poemas narrativos franceses. De facto, Chaucer mostra um conhecimento considerável sobre outras «artes» , como sejam medicina, ornitologia, alquimia ou astronomia, embora tenha incluído, numa tradução livre, o aforismo Ars longa, vita brevis no prólogo d’«O Parlamento das Aves»:

The lyf so short, the craft so long to lerne,
Th’ assay so hard, so sharp the conquerynge,

A vida tão curta, a arte tão longa de haver,
O ensaio tão duro, a vitória tão vã

Um dos exemplos deste ecletismo é o conto do médico, ou mais concretamente o prólogo, já que o conto é uma alegoria moral, notável pela forma não tanto pelo conteúdo, que nos conta a história de um homem que corta a cabeça da filha Virgínia (que representa a virgindade, a pureza cristã) para a salvar da concupiscência de Ápio, 0 libidinoso juiz. No prólogo, Chaucer apresenta com um minucioso poder de síntese a visão religiosa-sobrenatural da medicina predominante na época. O médico, um homem sem escrúpulos que enriqueceu à custa da peste, era fluente em medicina alicerçada em astronomia, a medicina «holística» inseparável de uma mundivisão mitológica e mágica em que se acreditava, por exemplo, que os corpos celestes podiam influenciar a saúde do Homem:

Connosco estava um médico também;
Em todo o mundo não existe alguém
Tão bom em medicina e cirurgia,
E alicerçado assim na astronomia.
Previa a hora propícia contra o mal
Pelo uso da magia natural.
Com firmeza traçava ele o ascendente
Dos amuletos para o seu paciente.
Via a causa de cada enfermidade
No frio, calor, secura ou humidade,
Onde nascia, e qual o seu humor;
Era um perfeito, um óptimo doutor.
Sabendo a fonte de onde o mal provinha,
Receitava ao enfermo sua mezinha,
Surgiam a seguir os boticários
Com suas drogas e remédios vários,
Pois a esta classe aquela classe obriga
Numa amizade já bastante antiga;
Seu Esculápio conhecia bem,
Rufus e Deiscórides também,
O velho Hipócrates, Ali, Galeno,
Serapião, Razis e Damasceno;
Avicena, Averróis e Constantino;
Bernardo e Gatesden e Gilbertino.
Tinha a dieta muito moderada,
Pois de supérfluo não comia nada,
Mas só alimento rico e digestivo.
Em ler a Bíblia parecia esquivo.
De vermelho e de azul vinha vestido;
De seda e tafetá era o tecido
Gastava o seu dinheiro com cuidado,
Guardando o que na peste havia lucrado.
Como o ouro entre os cordiais tem mais valia,
Ao ouro mais que tudo ele queria.

A cosmologia medieval distinguia duas regiões do Universo, a esfera sublunar, que continha substâncias sujeitas à corrupção devido à incompatibilidade existente entre os quatro arqué – os elementos primordiais de Empedócles ainda aceites – (o fogo quente, o ar seco, a terra fria e a água húmida) que a constituiam. A segunda região, a esfera supralunar (ou celeste), era povoada pelos astros, pelos santos que estão na «Glória Eterna», os anjos e Deus. Acreditava-se que o mundo supralunar emitia fluidos que influenciavam o mundo sublunar e a saúde dos seus habitantes. A «vontade» de Deus e a vinda de adversidades podiam ser lidas nos signos do céu. Cometas e eclipses eram «maus presságios», uma forma de Deus anunciar catástrofes sortidas com que decidira mimosear a Terra e os homens.
De acordo com esta medicina «cosmológica» – que dominou, em Portugal inclusive, até pelo menos ao século XVI – os corpos superiores ou supralunares poderiam influenciar quer os arqué do mundo sublunar quer os «humores» humanos e imprimir doenças sortidas, sendo o ar o condutor entre as duas regiões do Universo.
Hildegard von Bingen*, abadessa do mosteiro beneditino de Disibodenberg, escreveu os únicos livros originais, embora com claras influências clássicas, de medicina na Europa do século XI, Physica e Causae et Curae (1150), – conhecidos como Liber subtilatum, Subtilezas da Natureza de Diversas Criaturas – assim como um livro de visões Scivias (Conhece os caminhos do Senhor) que recomenda a fé como caminho para a saúde.
Na Physica, são descritos os elementos da natureza, plantas ou minerais, que devem ser utilizados para a restituição do equilíbrio com Deus – e por conseguinte da saúde – e quais os que se devem evitar, nomeadamente na alimentação, já que «engendram humores maus». As descrições assentam na classificação do «temperamento» das plantas em quente ou frio, seco ou húmido. Na Causae et Curae, são descritas as doenças e a forma como os astros e os elementos da natureza as controlam. O livro inicia-se com uma visão cosmológica da humanidade e do mundo a que se segue a teoria dos humores. Segundo esta teoria, a saúde dependia de quatro «humores» do corpo humano – o sangue (húmido), a fleuma ( seco), a bílis (quente) e a atrabílis (fria) em permanente correspondência com os quatro elementos existentes (fogo, ar, terra e água) e com os astros celestes (os doze signos do Zodíaco). Um desequilíbrio da fleuma deveria ser tratado, tendo em atenção as conjunções astrais mais propícias, com o seu oposto, o sangue. Assim dever-se-ia escolher como tratamento uma planta com temperamento «húmido».
A teoria dos humores, proposta por Cláudio Galeno (129-199,) foi a base da medicina clássica e medieval. Os conceitos de Galeno sobre anatomia, fisiologia, higiene, dietética e terapêutica permaneceram como verdades inquestionáveis durante 14 séculos. Apenas no século XVI Galeno começou a ser contestado, em várias frentes como exemplificado no «Tratado dos Simples» de Garcia d’Orta ou no De Humani Corporis Fabrica de Andreas Vesalius.
Mas a figura que se destaca nesta revolta renascentista contra Galeno é Theophrastus Philippus Aureolus Bombastus von Hohenheim (1493-1541) mais conhecido como Paracelso, que introduziu em alternativa à teoria dos humores uma filosofia natural alquímica, revolucionando a medicina e a química. O seu seguidor Jan Baptista van Helmont foi um dos mais destacados «filósofos químicos» da primeira metade do século XVII que contribuiu indelevelmente para o sucesso da química médica ou iatroquímica em oposição à medicina galénica, segundo a qual apenas forças ocultas, aliadas às ervas medicinais com o «temperamento» adequado, surtiriam efeito na cura dos males do corpo.
*Os livros de Hildegard von Bingen, que se pensa actualmente sofrer de enxaquecas, foram inspirados nas visões «divinas» que a assolavam durante as crises, descritas pormenorizadamente nas obras Liber vitae meritorum e De operatione Dei também conhecido como Liber divinorum operum. São Bernardo de Claraval (ou Clairvaux), que se destacou pela oposição à linha filosófica dos chamados dialécticos, escola de pensamento iniciada por Anselmo de Aosta e continuada por Pedro Abelardo – oposição manifesta no Disputatio Adversus Petrum Abaelardum -, foi o seu patrono junto ao papa.


Acredito que seja útil ver também:

Visto 1552 vezes,
0 votos Vota!!
Related Posts with Thumbnails
Bem vindo ao nosso blog, visite também o site da Canoro Audiobook e veja as opções em audiobooks (livros em áudio) e também em livros convencionais. Acesse www.canoro.com.br e auxilie esse trabalho de divulgação da cultura.
Audiobooks de Biologia, Espiritismo, Filosofia, História, Literatura, Psicologia, Religião e Sociologia.
Aproveite para deixar seu comentário e divulgar o seu site.

Receba atualizações por e-mail:


Adicionar aos Favoritos


Seu comentário é muito importante para nós, COMENTE!

Comete abaixo:


Filosofia, investigação crítica e racional dos princípios fundamentais relacionados ao mundo e ao homem. Filosofia

Filosofia (do grego Φιλοσοφία: philos - que ama + sophia - sabedoria, « que ama a sabedoria ») é a investigação crítica e racional dos princípios fundamentais relacionados ao mundo e ao homem.

Cultura, conjunto de conhecimento adquirido, instrução, saber, estruturas sociais, religiosas, manifestações intelectuais, artísticas Cultura

Cultura conjunto de conhecimento adquirido; a instrução, o saber; conjunto das estruturas sociais, religiosas, etc., das manifestações intelectuais, artísticas etc. ...

Literatura, arte de criar, recriar textos, estudar, escritos, eloquência, poesia, produções literárias, letras Literatura

Literatura pode ser definida como a arte de criar e recriar textos, de compor ou estudar escritos artísticos; o exercício da eloquência e da poesia; o conjunto de produções literárias de um país ou de uma época; a carreira das letras.

Arte, técnica, habilidade, atividade humana, manifestações, estética, artistas, percepção, emoções, ideias, objetivo, estimular, instâncias de consciência, espectadores, significado único e diferente para cada arte. Arte

Arte (Latim Ars, significando técnica e/ou habilidade) geralmente é entendida como a atividade humana ligada a manifestações de ordem estética, feita por artistas a partir de percepção, emoções e ideias, com o objetivo de estimular essas instâncias de consciência em um ou mais espectadores, dando um significado único e diferente para cada obra de arte.