Página Inicial | Seja Parceiro | Receba atualizações por e-mail
Assine nosso News Feed Rss e fique sabendo de nossas novidades
Análise do Livro | Audiobook | Biografias | Curiosidade | E-Book | Gerenciamento Pessoal | Livros Mais Vendidos | Opinião | Pensamento Filosófico

Opções

Menu

BlogBlogs Link com Qualidade

Parceiros

adrianobachega

Agregadores

Divulgue seu link no Link de Qualidade
LinkLog
Link com Qualidade
Uêba - Os Melhores Links
Está no seu momento de descanso né? Entao clique aqui!

Rei Lear – William Shakespeare

Veja outras matérias sobre os assuntos: Análise do Livro, Literatura, William Shakespeare

Rei Lear lamenta a morte de Cordélia, James Barry, 1786-1788

Rei Lear lamenta a morte de Cordélia, James Barry, 1786-1788

Rei Lear (King Lear, no original em inglês) é uma peça de William Shakespeare. Escrita em torno de 1605, a tragédia do rei Lear foi encenada pela primeira vez perante a corte inglesa no dia 26 de dezembro de 1606 e impressa em 1608.
Shakespeare inspirou-se em histórias antigas para compor os personagens de Rei Lear. Lear pertence ao folclore anglo-saxão e aparece, já em 1147, com base em um episódio da Historia Regum Britanniae (1137/1138) do galês Geoffrey de Monmouth, conforme recontado nas Crônicas de Holinshed (Raphael Holinshed). Por sua vez, Glócester e seus dois filhos – que aparecem como um desdobramento da trama principal, fazem parte de um romance pastoral de 1590, Arcádia, de Sir Philip Sidney. Ao episódio, Shakespeare acrescenta o personagem do Bobo, a loucura de Lear e a morte de Cordélia e revela um final diferente das outras versões que têm um final feliz.
Segundo Park Honan, autor de Shakespeare: Uma vida, Shakespeare elaborou um vasto estudo para escrever Rei Lear e ainda: “…enriqueceu suas opiniões e até mesmo seu vocabulário lendo Montaigne (1603) e tomou emprestadas várias das palavras do tradutor (John Florio, 1603) para Rei Lear.”
O psicanalista Carlos Tamm, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro e mestre em letras pela PUC, descreve o tom inicial do rei Lear como uma “voz alta” que bloqueia o pensamento, a busca de verdade e o diálogo. Lear organiza a “cerimônia adulatória”, criando uma competição entre as irmãs, suscitando uma fala falsa, já que o texto, de algum modo, tinha sido ditado por ele próprio. Os elogios que ouvirá são apenas proporcionais à posição que ocupa, sem nenhuma relação com seu próprio mérito, como rei ou como pai.
O universo da peça não comporta o pensamento de Cordélia que questiona o poder arbitrário e cego do pai. O conflito toma uma proporção crescente. Ferido em sua vaidade e narcisismo, o rei se decepciona com Cordélia e a entrega sem dote ao rei da França. A fala de Cordélia crítica a falta de sentido da cerimônia. Ao opor-se Cordélia perde privilégios e bens materiais, embora seja ela a filha disposta a perder a própria vida pelo pai.
O pecado de Cordélia é tornar evidente o absurdo: é a voz sensata da razão ante o rei tomado pela irreflexão. Lear, mais tarde, reconhece o seu erro e exclama no palácio de Goneril,

“Ah, pequeno erro(…),
Como te mostraste terrível em Cordélia,
Arrancando, como numa tortura, minha natureza
De seu lugar devido, expulsando de meu coração todo o amor,
E alimentando o fel! Ah Lear, Lear, Lear!”

A expulsão da filha, da Inglaterra e do seu coração, é o primeiro passo para o calvário do rei, que acaba nu, exposto à tormenta e louco.
Lear, rei da Bretanha, decide dividir o reino entre suas três filhas: Goneril (esposa do duque da Albany); Regan (esposa do duque de Cornualha); e Cordélia (que tinha por pretendentes o rei da França e o duque da Borgonha). Para calcular a partilha, pede às filhas que demonstrem a gratidão e o amor que sentem pelo pai. Apenas Cordélia contraria as expectativas do rei e é expulsa do reino, entregue sem dote ao rei da França. O duque de Kent intercede por Cordélia e também é expulso. O duque de Kent, entretanto, em vez de partir para o exílio, retorna ao reino disfarçado para só revelar-se no fim da peça.
Enquanto isso, o conde de Glócester, agindo de forma semelhante a Lear, acredita que o seu filho legítimo, Edgar, tem planos de matá-lo. Ajudado por Kent, Edgar refugia-se disfarçado de mendigo.
Lear se arrepende e volta sua fúria contra Goneril que se une a Regan contra o pai. Lear, Goneril e Regan se reencontram na casa do conde de Glócester, onde o rei rompe definitivamente com as filhas. Expulso, o velho rei enlouquece e se refugia em uma cabana, a mesma onde se escondiam Kent e Edgar, disfarçados.
Edmundo, filho bastardo de Glócester, trama novamente contra o pai e acusa-o de aliar-se aos franceses para invadir o reino da Bretanha. Furioso, o duque de Cornualha arranca os olhos de Glócester e o expulsa da própria casa. Um servidor fiel a Glócester mata Cornualha. Glócester, cego e arrependido de ter acreditado em Edmundo, segue guiado por Edgar até encontrar-se com Lear.
Edmundo seduz Goneril e Regan e torna-se o comandante das forças inglesas. Ao lado do duque de Albany vence os franceses, prende Lear e Cordélia e os condena à morte. Goneril envenena Regan com ciúme e se mata quando o próprio adultério é descoberto. Glócester morre de desgosto quando Edgard se revela. Alertado por Kent, Albany prende Edmundo que confessa a trama e avisa sobre a sentença contra Lear e Cordélia, porém, tarde demais. Cordélia é enforcada e Lear morre tentando reavivar a filha.

Técnicas dramatúrgicas

King Lear pode ser considerada uma obra da fase mais madura da produção shakespeareana. Seu caráter inovador pode ser apontado pela total ausência do divino em sua trama – o mundo de “Rei Lear” é um cosmos sem deuses ou interferências mágicas. A peça é, essencialmente, um drama familiar, no qual a personagem-título é a figura central e o herói trágico por excelência: a partir de uma escolha errônea – o rei decide dividir o seu reino entre suas três filhas, e para tal exige delas submissão e homenagens laudatórias; diante da recusa da mais jovem, Cordelia, que se revolta contra o fingimento das demais irmãs, Goneril e Regan, ele expulsa-a do reino e nega-lhe o direito à partilha –, Lear desencadeará toda uma alteração na ordem natural, provocando a mudança da fortuna da felicidade para a infelicidade – a Inglaterra cai em mãos inescrupulosas e ele mesmo, antes rei, vê-se lançado à própria sorte e é rechaçado pelas filhas a quem dera o trono – e a conseqüente catástrofe final – a morte da filha Cordelia, que se casara com o herdeiro do trono francês e volta para a Inglaterra para defender o pai, e a sua própria morte.
O erro trágico de Lear – a escolha errada que faz pelas filhas bajuladoras, motivada por sua vaidade e soberba, e a conseqüente expulsão de Cordelia – é exposto por Shakespeare ao público já na primeira cena, e o protagonista começa a sofrer os efeitos da mudança da fortuna ainda nesse primeiro ato. Tal escolha deve-se, em parte, ao fato de que Shakespeare trata, nessa peça, de um universo de personagens que é desconhecido do público por não advir de nenhum mito conhecido; isso teria levado o dramaturgo a partir do erro trágico para mostrar suas conseqüências ao longo de todo o texto, ao invés de delongar sua aparição para mais adiante na trama. Esse caráter de novidade do mito de Lear seria também o fator motivador para a composição de uma trama secundária na peça – a de Gloster, que acredita nas intrigas tecidas por seu filho bastardo Edmund contra o nobre e fiel Edgar, seu filho legítimo –, a qual serve de espelhamento ao erro trágico de Lear e reforça, para o público, o cerne da trama principal.
Como erro trágico, a ação de Lear não apresenta possível restauração. Mesmo o retorno de Cordelia, a filha fiel e injustiçada que regressa à Inglaterra com as forças francesas para restituir o trono ao pai vilipendiado pelas irmãs, mostra-se trágico, já que representará o grande sacrifício da personagem em nome do amor filial. A morte dos antagonistas ao final da peça tampouco representa um retorno à felicidade inicial. O próprio equilíbrio retomado ao final da peça, com a dominação dos exércitos do rei francês sobre a tirania imposta pelas filhas de Lear, Goneril e Regan, pode ser visto como uma alteração das forças da natureza ocasionada pelo erro trágico de Lear – já que, historicamente, a visão de um salvador oriundo da França para o público inglês soaria como uma verdadeira inversão cósmica da ordem natural.
É interessante ressaltar que há diversos elementos em King Lear que também são encontrados em The Taming of the Shrew: o rebaixamento – que no “Rei Lear” está na figura de Kent, o qual se disfarça de servo para auxiliar o rei, a quem é fiel mas havia sido por Lear banido por tentar demovê-lo da idéia de expulsar Cordelia –, o engano, o espelhamento da trama central em uma trama secundária e mesmo o grosseiro e o burlesco – representados pelo Fool e suas intervenções junto ao rei – encontram paralelos na comédia anteriormente estudada. Contudo, o que em “A Megera Domada” servia para causar o riso, em “Rei Lear” é usado para compor o quadro de perdição oriundo do erro trágico do protagonista e, conseqüentemente, o efeito catártico e didático da tragédia shakespeareana: a fragilidade humana faz com que a velhice não traga, obrigatoriamente, a sabedoria ou o aprendizado pela experiência; os erros de julgamento, pelo contrário, podem ser ainda mais trágicos por conta da vaidade e da soberba oferecidos pela aparente superioridade de julgamento dos mais velhos – seja ele um rei, como Lear, ou um homem mais próximo de nós, como Gloster.

Referências

  • Shakespeare: Uma vida, Honan Park, tradução Sônia Moreira, São Paulo, Companhia das Letras, 2001.
  • Cadernos Entre Livros – Panorama da Literatura Inglesa, ISBN 978-85-99535-30-1, Editora Ediouro, Segmento-Duetto Editorial Ltda, páginas 12 a 21.

Acredito que seja útil ver também:

Visto 1466 vezes,
0 votos Vota!!
Related Posts with Thumbnails
Bem vindo ao nosso blog, visite também o site da Canoro Audiobook e veja as opções em audiobooks (livros em áudio) e também em livros convencionais. Acesse www.canoro.com.br e auxilie esse trabalho de divulgação da cultura.
Audiobooks de Biologia, Espiritismo, Filosofia, História, Literatura, Psicologia, Religião e Sociologia.
Aproveite para deixar seu comentário e divulgar o seu site.

Receba atualizações por e-mail:


Adicionar aos Favoritos


Seu comentário é muito importante para nós, COMENTE!

Reader Feedback

3 Responses to “Rei Lear – William Shakespeare”

  1. [...] 47. Paraíso perdido, John Milton 48. Anna Karenina, Leon Tolstoi 49. Hamlet, William Shakespeare 50. O rei Lear, William Shakespeare 51. Otello, William Shakespeare 52. Sonetos, William Shakespeare 53. Folhas de erva, Walt Whitman [...]

  2. [...] 47. Paraíso perdido, John Milton 48. Anna Karenina, Leon Tolstoi 49. Hamlet, William Shakespeare 50. O rei Lear, William Shakespeare 51. Otello, William Shakespeare 52. Sonetos, William Shakespeare 53. Folhas de erva, Walt Whitman [...]

  3. [...] análises de obras de William Shakespeare, A Comédia dos Erros, A Tempestade, Romeu e Julieta, Rei Lear, Hamlet, Otelo e a Biografia de William [...]

Comete abaixo:


Filosofia, investigação crítica e racional dos princípios fundamentais relacionados ao mundo e ao homem. Filosofia

Filosofia (do grego Φιλοσοφία: philos - que ama + sophia - sabedoria, « que ama a sabedoria ») é a investigação crítica e racional dos princípios fundamentais relacionados ao mundo e ao homem.

Cultura, conjunto de conhecimento adquirido, instrução, saber, estruturas sociais, religiosas, manifestações intelectuais, artísticas Cultura

Cultura conjunto de conhecimento adquirido; a instrução, o saber; conjunto das estruturas sociais, religiosas, etc., das manifestações intelectuais, artísticas etc. ...

Literatura, arte de criar, recriar textos, estudar, escritos, eloquência, poesia, produções literárias, letras Literatura

Literatura pode ser definida como a arte de criar e recriar textos, de compor ou estudar escritos artísticos; o exercício da eloquência e da poesia; o conjunto de produções literárias de um país ou de uma época; a carreira das letras.

Arte, técnica, habilidade, atividade humana, manifestações, estética, artistas, percepção, emoções, ideias, objetivo, estimular, instâncias de consciência, espectadores, significado único e diferente para cada arte. Arte

Arte (Latim Ars, significando técnica e/ou habilidade) geralmente é entendida como a atividade humana ligada a manifestações de ordem estética, feita por artistas a partir de percepção, emoções e ideias, com o objetivo de estimular essas instâncias de consciência em um ou mais espectadores, dando um significado único e diferente para cada obra de arte.