
Retrato de Mary Shelley (1840) - Richard Rothwell (1800-1868)
Mary Shelley (nascida Mary Wollstonecraft Godwin; 30 de Agosto de 1797 – 1º fevereiro de 1851) foi uma escritora britânica, de contos, dramaturga, ensaísta, biógrafa, e escritora de literatura de viagens, mais conhecida por sua novela gótica Frankenstein: ou O Moderno Prometeu (1818). Ela também editou e promoveu os trabalhos de seu marido, o poeta romântico e filósofo Percy Bysshe Shelley. Seu pai foi o filósofo político William Godwin, e sua mãe a filósofa e feminista Mary Wollstonecraft. A mãe de Mary Godwin morreu quando ela tinha 10 dias de nascida; mais tarde, ela e sua meia-irmã, Fanny Imlay, foram criadas por seu pai. Quando Mary tinha quatro anos, Godwin casou-se com uma vizinha, Mary Jane Clairmont. Godwin deu a sua filha uma rica e informal educação, encorajando-a a aderir às suas teorias políticas liberais. Em 1814, Mary Godwin iniciou um relacionamento amoroso com um dos seguidores políticos de seu pai, o casado Percy Bysshe Shelley. Junto com a irmã adotiva de Mary, Claire Clairmont, eles partem para a França e viajam pela Europa; uma vez retornando a Inglaterra, Mary fica grávida de Percy. Durante os próximos dois anos, ela e Percy enfrentam o ostracismo, dívidas e a morte da filha prematura. Eles se casaram em 1816 após o suicídio da primeira mulher de Percy Shelley, Harriet. Em 1816, o famoso casal passou o verão com Lord Byron, John William Polidori, e Claire Clairmont próximos de Genebra, Suíça, onde Mary concebe a idéia de sua novela Frankenstein. Os Shelleys deixam a Grã-Bretanha em 1818 e vão para a Itália, onde o segundo e o terceiro filhos morrem antes do nascimento de seu último e único sobrevivente filho, Percy Florence. Em 1822, seu marido afogou-se quando seu barco afundou durante uma tempestade na Baía de La Spezia. Um ano depois, Mary Shelley retornou a Inglaterra, devotando-se, desde então à educação de seu filho e à carreira como autora profissional. A última década de sua vida foi marcada pela doença, provavelmente causada pelo tumor cerebral que a iria matar aos 53 anos de idade. Até os anos 70, Mary Shelley era conhecida principalmente por seus esforços em publicar os trabalhos de Percy Shelley e pela novela Frankenstein, que permanece sendo lida mundialmente e tendo inspirado muitas peças de teatro e adaptações para o cinema. O currículo escolar recente rendeu uma visão mais compreensiva das realizações de Mary Shelley. Estudantes demonstraram mais interesse em sua carreira literária, particularmente suas novelas, que incluem novelas históricas Valperga (1823) e The Fortunes of Perkin Warbeck (1830), a novela apocalíptica The Last Man (1826), e suas últimas duas novelas, Lodore (1835) e Falkner (1837). Estudos de seus últimos trabalhos conhecidos como o livro de viagem Rambles in Germany and Italy (1844) e os artigos biográficos de Dionysius Lardner’s, Cabinet Cyclopaedia (1829–46) serviram de base e visualização de que Mary Shelley permaneceu uma política radical por toda a vida. O trabalho de Mary Shelley frequentemente discute que essa cooperação e simpatia, particularmente praticada pelas mulheres na família, eram maneiras de se reformar a sociedade civil. Essa visão foi um desafio direto ao caráter romântico individualista promovido por Percy Shelley e as teorias políticas iluministas articuladas por seu pai, William Godwin.
Infância
Mary Shelley nasceu Mary Wollstonecraft Godwin em Somers Town, Londres,em 1797. Foi a segunda filha da filósofa feminista, educadora e escritora Mary Wollstonecraft, e a primeira filha do filósofo, escritor e jornalista William Godwin. Wollstonecraft morreu de septicemia puerperal dez dias após Mary nascer. Godwin criou Mary junto com sua meia irmã, Fanny Imlay,filha de Wollstonecraft com o especulador americano Gilbert Imlay.[2] Um ano depois da morte de Wollstonecraft, Godwin publicou suas Memoirs of the Author of A Vindication of the Rights of Woman (1798), com a intenção de ser um tributo sincero e apaixonado.Entretanto, por conta das Memoirs terem revelarado o caso de Wollstonecraft e sua filha ilegítima, chocaram a todos. Mary Godwin leu essas memórias e os livros de sua mãe, aumentando a seu amor por ela.[3] A infância de Mary foi feliz, a julgar pelas cartas da governanta e enfermeira de William Godwin, Louisa Jones.[4] Mas Godwin se sentia profundamente aquém de suas forças e percebendo que não conseguiria cuidar das filhas sozinho, procurou por uma segunda esposa.[5]Em dezembro de 1801, casou-se com Mary Jane Clairmont, uma mulher bem educada com dois filhos jovens —Charles e Claire.[note 1] A maioria dos amigos de Godwin não gostavam de sua nova esposa, descrevendo-a como violenta e temperamental;[6][note 2]mas Godwin foi devotado a ela, e o casamento foi um sucesso.[7] Mary Godwin, por outro lado, destestava sua madrasta.[8] O biografo de William Godwin, C. Kegan Paul mais tarde sugeriu que a Sra Godwin tinha preferência por sua própria filha em oposição a outra.[9] Em conjunto, os Godwins iniciaram uma empresa de publicidade chamada M. J. Godwin, que vendia livros infantis, assim como artigos de papelaria, mapas e jogos. Entretanto, o negócio não teve lucros e Godwin foi forçado a fazer empréstimos para prosseguir.[10] Ele continuou a pegar empréstimos para pagar as dívidas, gerando cada vez mais problemas. Em 1809, os negócios de Godwin vão à falência e ele estava “perto do desespero”.[11]Ele foi salvo da ‘’prisão dos devedores’’ pelos seus seguidores filósofos como Francis Place, que lhe emprestou mais dinheiro.[12]
Embora Mary Godwin tenha recebido pouca educação formal, seu pai a tutoriou em vários assuntos. Frequentemente levava as crianças em viagens educacionais, e elas também tinham acesso a sua biblioteca e a muitos intelectuais que o visitavam, incluindo o poeta romântico Samuel Taylor Coleridge e o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Aaron Burr.[13] Godwin admitiu que não educou as meninas de acordo com a filosofia de Mary Wollstonecraft disposto em trabalhos como A Vindication of the Rights of Woman (1792), mas Mary Godwin, todavia, recebeu uma educação incomum e avançada para uma garota da sua época. Ela teve uma educadora, um tutor, e leu vários livros infantis de seu pai sobre a história de Roma e da Grécia em manuscrito.[14] Por 6 meses em 1811, ela frequentou um colégio interno em Ramsgate.[15] Seu pai a descreveu aos 15 anos como “uma mente ativa, um tanto imperativa e singularmente brilhante. Seu desejo de conhecimento é grande, e sua perseverança em tudo o que empreende é quase invencível”.[16]
Em Junho de 1812, seu pai a mandou para junto do dissidente radical William Baxterher, perto de Dundee, Escócia.[17] Para Baxter, ele escreveu, “Estou ansioso pelo que ela pode trazer… como uma filófosa, ou mesmo como uma cínica.”[18] Eruditos especularam que ela pode ter sido afastada para cuidar da saúde, retirá-la dos negócios, ou introduzi-la na política radical.[19] Mary Godwin revelou-se nos arredores espaçosos da casa de Baxter e na companhia de suas quatro filhas e retornou para o norte em 1813 onde passou os próximos 10 meses.[20] Na introdução de Frankenstein de 1831, ela relembrou: “Escrevi no mais simples e comum estilo. Embaixo das árvores nos campos que pertenciam a nossa casa, ou nas montanhas descampadas, onde minhas composições verdadeiras, os vôos de minha imaginação, nasceram e floresceram”.[21]
Percy Bysshe Shelley
Mary Godwin pode ter tido seu primeiro encontro com o poeta-filósofo Percy Bysshe Shelley no intervalo entre duas de suas estadas na Escócia.[22] Antes dela retornar pra casa pela segunda vez em 30 de março de 1814, Percy Shelley vinha se tornando distante da esposa, e regularmente visitava Godwin.[23] O radicalismo de Percy Shelley, principalmente sua visão econômica, inspirada na Justiça Política de Godwin (1793), alienou-o de sua rica familia aristocrata: avisaram-no que seguisse os modelos tradicionais da aristocracia, e ele quis doar grandes quantidades do dinheiro da familia para causas de ajuda a desamparados. Percy Shelley consequentemente teve dificuldade em ter acesso ao dinheiro antes que o herdasse, porque sua familia não queria que ele o gastasse em projetos de “justiça política”. Depois de vários meses de promessas, Shelley informou que não queria nem poderia pagar as dívidas de Godwin. Godwin ficou furioso e se sentiu traído.[24]
Mary e Percy se encontraram pela primeira vez no mausoléu de Mary Wollstonecraft em St Pancras Old Church, e apaixonaram-se—ela estava com quase dezessete anos e ele próximo dos vinte e dois.[25] Para desespero de Mary, seu pai não aprovava o relacionamento e tentou impedi-los de modo a salvar a fama de “impecável” da sua filha. Na mesma época, Godwin conheceu a incapacidade dos Shelleys de pagar suas dívidas. [26] Mary, que escreveu mais tarde de “meu apego excessivo e romântico por meu pai”, [27] estava confusa. Ela viu Percy Shelley como uma encarnação das idéias de seus pais liberais e reformistas dos anos 1790, principalmente a visão de Godwin sobre o casamento ser um monopólio repressivo, alegado em sua edição de 1793 de “Justiça Política” mas já recolhido. [28] Em 28 de Julho de 1814, o casal secretamente vai para a França, levando a meia-irmã de Mary, Claire Clairmont, com eles [29], mas deixando a esposa grávida de Percy para trás. Depois de convencer Mary Jane Godwin, que os perseguiu até Calais, que não desejavam regressar, o trio viajou para Paris, e então, de burro, mula, e de carroça, através de uma França recentemente devastada pela guerra, para a Suíça. “Estávamos numa novela, sendo um romance real”, Mary Shelley, em 1826, recordou. [30] Enquanto viajavam, Mary e Percy liam obras de Mary Wollstonecraft e outros, mantinham uma jornal comum, e continuaram a sua própria escrita. [31] Em Lucerna, a falta de dinheiro obrigou os três a voltar para trás, desceram para o Norte e por terra até o porto holandês de Marsluys, chegando a Gravesend, Kent, em 13 de Setembro de 1814. [32]
A situação que aguardava Mary Godwin na Inglaterra foi repleta de complicações, algumas das quais ela não tinha previsto. Antes ou durante a viagem, ela ficou grávida e ela e Percy agora viram-se sem um tostão, e, para surpresa genuína de Mary, seu pai se recusou a fazer nada por ela. [33] O casal mudou-se com Claire para alojamentos em Somers Town, e mais tarde, Nelson Square. Eles mantiveram o seu intenso programa de leitura e escrita e amigos de Percy Shelley, como Thomas Jefferson Hogg e o escritor Thomas Love Peacock. [34] Percy Shelley às vezes saiu de casa por períodos curtos para iludir os credores. [35] Cartas casuais do casal revelam sua dor nessas separações. [36]
Grávida e muitas vezes doente, Mary Godwin teve de lidar com a alegria de Percy no nascimento de seu filho com Harriet Shelley no final de 1814 e seus constantes passeios com Claire Clairmont. [note 3] Foi consolada pelas visitas de Hogg, a quem ela não gostava no início mas logo considerado um amigo íntimo. [37] Percy Shelley parece ter querido que Mary Godwin e Hogg se tornassem amantes; [38] Mary não descartou a idéia, já que, em princípio, ela acreditava em amor livre. [39] Na prática, porém, ela amava apenas Percy Shelley e parece não ter se aventurado mais longe do que a flertes com Hogg. [40] [note 4] Em 22 de Fevereiro de 1815, ela deu à luz uma menina prematura de dois meses, que não tinha muita esperança de sobreviver. [41] Em 6 de Março, ela escreveu para Hogg:
Meu querido Hogg, meu bebê está morto – venha me ver logo que puder. Quero te ver – Ele estava perfeitamente bem fui para a cama – acordei no meio da noite para amamentá-lo e parecia estar dormindo tão tranquilo que eu não quis acordá-lo. Ele morreu em seguida, mas não encontramos “a causa” até de manhã – sua aparência mostra, evidentemente, que morreu de convulsões – Você pode vir – Shelley tem medo da febre do leite – para mim eu não sou mais uma mãe agora. [42]
A perda de seu bebê deixou Mary Godwin em depressão profunda, sendo assombrada por visões do bebê; mas ela engravidou novamente e já tinha se recuperado no verão. [43] Com um revival das finanças de Percy Shelley após a morte de seu avô, Sir Bysshe Shelley, o casal passou as férias em Torquay e depois alugou um chalé de dois andares em Bishopsgate, na beira da Windsor Great Park. [44] Pouco se sabe sobre este período da vida de Mary Godwin, desde a sua revista de maio de 1815 a julho 1816 se perdeu. Na Bishopsgate, Percy escreveu seu poemaAlastor; e em 24 de janeiro de 1816, Mary deu à luz um segundo filho, William, em homenagem a seu pai e logo apelidado de “Willmouse “. Em seu romanceThe Last Man, ela imaginava Windsor como um Jardim do Éden. [45]
Lago de Genebra e Frankenstein
Em maio de 1816, Mary Godwin, Percy Shelley, e seu filho viajaram para Genebra com Claire Clairmont, onde planejavam passar o verão com o poeta Lord Byron, cujo caso recente com Claire a tinha deixado grávida. [46] O grupo chegou em Genebra em 14 de maio de 1816, onde Mary passou a se chamar de “Sra. Shelley”. Byron se juntou a eles em 25 de Maio com seu jovem médico, John William Polidori, [47] e alugou a Villa Diodati , perto do Lago de Genebra na vila de Cologny; Percy Shelley alugou uma pequena construção chamada Maison Chapuis, próximo à margem do rio. [48] Passaram seu tempo escrevendo, com passeios de barco no lago, e conversando até tarde da noite. [49]
“Foi com certeza um verão molhado,”, Mary Shelley relembrou em 1831, “a chuva incessante, muitas vezes confinou-nos dias dentro de casa”. [50] [note 5] Entre outros assuntos, a conversa virou-se para as experiências do filósofo natural e poeta Erasmus Darwin do século 18, que disse ter animado matéria morta, e do galvanismo e a viabilidade de retornar à vida um cadáver ou partes de um corpo. [51] Sentados em torno de uma fogueira na Villa de Byron, os companheiros também se divertiam lendo histórias alemãs de fantasmas, fazendo com que Byron sugerisse que cada um escrevesse o seu próprio conto sobrenatural. Pouco depois, em uma inspiração, Mary Godwin concebeu a idéia de Frankenstein:
Eu vi o pálido estudante de artes profanas ajoelhado ao lado da coisa que ele tinha reunido. Eu vi o fantasma hediondo de um homem estendido e, em seguida, através do funcionamento de alguma força, mostrar sinais de vida, e se mexer com um espasmo vital. Terrível, extremamente assustador seria o efeito de qualquer esforço humano na simulação do estupendo mecanismo de Criador do mundo. [52] [note 6]
Ela começou a escrever o que achou que seria uma história curta. Com o encorajamento de Percy Shelley, ela expandiu este conto em seu primeiro romance, Frankenstein: or, The Modern Prometheus, publicado em 1818. [53] Mais tarde ela descreveu o verão na Suíça como o momento “Quando eu saí da infância para a vida”. [54]
Bath e Marlow
Em seu retorno à Inglaterra em setembro, Mary e Percy mudaram-se – com Claire Clairmont – estabilizando-se próximo à Bath, onde esperaram manter secreta a gravidez de Claire. [55] Em Cologny, Mary Godwin havia recebido duas cartas de sua meia-irmã, Fanny Imlay, que aludiu à sua vida “infeliz”; em 9 de Outubro, Fanny escreveu uma carta “alarmante” de Bristol o que fez com que Percy Shelley saísse à sua procura, sem sucesso. Na manhã do dia 10 de outubro, Fanny Imlay foi encontrada morta em um quarto em Swansea, juntamente com uma nota de suicídio e uma garrafa de láudano. Em 10 de Dezembro, a esposa de Percy Shelley, Harriet, foi encontrada afogada no lago Serpentine, um lago no Hyde Park, em Londres. [56] Ambos os suicídios foram acobertados. A família de Harriet dificultou os esforços de Percy Shelley – totalmente apoiado por Mary Godwin – para assumir a custódia de seus dois filhos com Harriet. A fim de melhorar sua posição no caso, seus advogados o aconselharam a se casar, de modo que ele e Mary, que estava grávida de novo, se casaram em 30 de dezembro de 1816 na Igreja de St. Mildred, Bread Street, em Londres. [57] Sr. e Sra. Godwin estavam presentes e o casamento acabou com a rusga na família. [58]
Claire Clairmont deu à luz uma menina em 13 de janeiro, inicialmente chamada Alba, mais tarde Allegra. [59] [note 7] Em março desse ano, o Chancery Court julgou Percy Shelley moralmente inapto para assumir a custódia de seus filhos e colocou-os com a família de um clérigo. [60] Também em março, os Shelleys mudaram-se com Claire e Alba para Albion House em Marlow, Buckinghamshire, um prédio grande, úmido sobre o rio Tâmisa. Lá Mary Shelley deu à luz seu terceiro filho, Clara, em 2 de setembro. Em Marlow, eles entretiveram seus novos amigos Marianne e Leigh Hunt, trabalhando arduamente nos seus escritos, e muitas vezes discussões políticas. [61]
No início do verão de 1817, Mary Shelley finalizou Frankenstein, que foi publicado anonimamente em janeiro de 1818. Críticos e leitores acharam que Percy Shelley era o autor, já que o livro havia sido publicado com seu prefácio e dedicado a seu herói político William Godwin. [62] Em Marlow, Mary editou a revista conjunta do grupo da viagem continental de 1814, acrescentando material escrito na Suíça em 1816, junto com o poema de Percy, Mont Blanc. O resultado foi a História de uma viagem de seis semanas, publicado em Novembro de 1817. Naquele outono, Percy Shelley, muitas vezes esteve fora de sua casa em Londres para fugir dos credores. A ameaça de uma ‘’prisão do devedor’’, combinada com sua saúde ruim e medo de perder a custódia de seus filhos, contribuíram para a decisão do casal de deixar a Inglaterra para a Itália em 12 de Março de 1818, tendo Claire Clairmont e Alba com eles. [63] Eles não tinham intenção de retornar. [64]
Itália
Uma das primeiras tarefas do grupo ao chegar na Itália foi levar Alba para Byron, que vivia em Veneza. Ele concordou em assumí-la, desde que Claire não tivesse mais nada a ver com ela. [65] Os Shelleys então embarcaram em uma existência errante, nunca se estabelecendo num lugar por muito tempo. [66] [note 8] Ao longo do caminho, eles acumularam um círculo de amigos e conhecidos, que muitas vezes se mudaram com eles. O casal dedicou seu tempo para escrever, ler, aprender, explorar e socializar. A aventura italiana, contudo, acabou para Mary Shelley com a morte de seus filhos – Clara, em setembro de 1818 em Veneza, e William, em junho de 1819 em Roma. [67] [note 9] Estas perdas a deixaram em uma depressão profunda que a isolava de Percy Shelley, [68], que escreveu em seu caderno :
Minha querida Mary, por onde tu tens ido,
E me deixaste neste mundo sombrio sozinho?
Tua figura está aqui de fato, encantadora
Mas tu fugiu, saiu por uma estrada sombria
Isso leva a morada mais obscura da Tristeza.
Por amor a ti mesma Eu não posso seguir-te
Para que retornes à mim. [69]
Por um tempo, Mary Shelley só encontrou conforto na sua escrita. [70] O nascimento de seu quarto filho, Percy Florença, em 12 de Novembro de 1819, finalmente, levantou seu ânimo, [71] apesar dela alimentar a memória dos filhos perdidos até o fim de sua vida. [72]
Notas
1. ? Seymour, 458.
2. ? Seymour, 28–29; St Clair, 176–78.
3. ? St Clair, 179–188; Seymour, 31–34; Clemit, “Legacies of Godwin and Wollstonecraft” (CC), 27–28.
4. ? Seymour, 38, 49; St. Clair, 255–300.
5. ? St Clair, 199–207.
6. ? Seymour, 47–49; St Clair, 238–54.
7. ? St Clair, 243–44, 334; Seymour, 48.
8. ? Carta a Percy Shelley, 28 de outubro de 1814. Selected Letters, 3; St Clair, 295; Seymour 61.
9. ? St Clair, 295.
10. ? St. Clair, 283–87.
11. ? St. Clair, 306.
12. ? St. Clair, 308–9.
13. ? Bennett, An Introduction, 16–17.
14. ? Sunstein, 38–40; Seymour, 53; leia também Clemit, “Legacies of Godwin and Wollstonecraft” (CC), 29.
15. ? Seymour, 61.
16. ? Sunstein, 58; Spark, 15.
17. ? Seymour, 74–75.
18. ? Quoted in Seymour, 72.
19. ? Seymour, 71–74.
20. ? Spark, 17–18; Seymour, 73–86.
21. ? Qtd. in Spark, 17.
22. ? Bennett, An Introduction, 17; St Clair, 357; Seymour, 89.
23. ? Sunstein, 70–75; Seymour, 88; St. Clair, 329–35.
24. ? St. Clair, 355.
25. ? Spark, 19–22; St Clair, 358.
26. ? Seymour, 94, 100; Spark, 22-23; St. Clair, 355.
27. ? Carta a Maria Gisborne, 30 outubro – 17 novembro de 1824. Seymour, 49.
28. ? St Clair, 373; Seymour, 89N, 94-96; Spark, 23n2.
29. ? Spark, 24; Seymour, 98-99.
30. ? Citado em Sunstein, 84.
31. ? Spark, 26-30.
32. ? Spark, 30; Seymour, 109 , 113.
33. ? Bennett,An Introduction, 20; St Clair, 373; Sunstein, 88-89 ; Seymour, 115-16.
34. ? Spark, 31-32.
35. ? Spark, 36-37; St Clair, 374.
36. ? Sunstein, 91-92; Seymour, 122-23.
37. ? Spark, 38-44.
38. ? St Clair, 375.
39. ? Sunstein, 94 — 97; Seymour, 127
40. ? Spark, 41-46; Seymour, 126-27; Sunstein, 98 — 99.
41. ? Seymour, 128.
42. ? Citado em Spark, 45.
43. ? St Clair, 375; Spark, 45, 48.
44. ? Sunstein, 93-94, 101; Seymour, 127-28, 130.
45. ? Sunstein, 101-103.
46. ? Gittings e Marques, 28-31.
47. ? Sunstein, 117.
48. ? Gittings e Marques, 31; Seymour, 152. Às vezes escrito “Chappuis”; Wolfson, Introdução àFrankenstein, 273.
49. ? Sunstein, 118.
50. ? Prefácio à edição 1831 doFrankenstein; Sunstein, 118.
51. ? Holmes, 328, ver também a introdução de Mary Shelley para a edição 1831 de Frankenstein.
52. ? Citado em Spark, 157, da introdução de Mary Shelley para a edição 1831 de Frankenstein.
53. ? Bennett,An Introduction, 30 — 31; Sunstein, 124.
54. ? Erro de citação Tag <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs chamadas Sunstein.2C117
55. ? Sunstein, 124-25 ; Seymour, 165.
56. ? St Clair, 413 ; Seymour, 175.
57. ? Sunstein, 129; St Clair, 414-15; Seymour, 176.
58. ? Spark, 54-55; Seymour, 176-77.
59. ? Spark, 57; Seymour, 177.
60. ? Spark , 58; Bennett,An Introduction, 21-22.
61. ? Seymour, 185; Sunstein, 136-37.
62. ? Seymour, 195-96.
63. ? Spark, 60-62; St Clair, 443; Sunstein, 143-49; Seymour, 191-92.
64. ? St Clair, 445.
65. ? Gittings e Marques, 39-42; Spark, 62-63; Seymour, 205-6.
66. ? Bennett,An Introduction, 43.
67. ? Seymour, 214-16; Bennett,An Introdução, 46.
68. ? Sunstein, 170-71, 179-82, 191.
69. ? Citado em Seymour, 233.
70. ? Bennett,An Introduction, 47, 53.
71. ? Spark, 72.
72. ? Sunstein, 384-85.
Referências
Todos os ensaios de The Cambridge Companion to Mary Shelley estão marcados com “(CC)” e os de The Other Mary Shelley com “(OMS)”.
Bibliografia
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