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><channel><title>Cultura de Qualidade &#187; Teologia</title> <atom:link href="http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/categoria/biografia/teologia/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.cultura.dequalidade.com.br</link> <description>Cultura, Literatura, Filosofia, Atitude</description> <lastBuildDate>Thu, 18 Aug 2011 02:04:41 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <generator>http://wordpress.org/?v=3.0.1</generator><meta xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex,follow" /> <item><title>Biografia de Erasmo de Roterdã</title><link>http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/biografia/biografia-de-erasmo-de-roterda/</link> <comments>http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/biografia/biografia-de-erasmo-de-roterda/#comments</comments> <pubDate>Tue, 27 Oct 2009 15:00:37 +0000</pubDate> <dc:creator>Fabiano</dc:creator> <category><![CDATA[Biografia]]></category> <category><![CDATA[Filosofia]]></category> <category><![CDATA[Teologia]]></category> <category><![CDATA[Erasmo de Roterdã]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.cultura.dequalidade.com.br/?p=760</guid> <description><![CDATA[Pensador renascentista, considerado um dos principais representantes do movimento humanista. ]]></description> <content:encoded><![CDATA[<div style="float:right;margin:0px 0px 0px 0px;"></div><div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;"> <a href="http://api.tweetmeme.com/share?url=http%3A%2F%2Fwww.cultura.dequalidade.com.br%2Findex.php%2Fbiografia%2Fbiografia-de-erasmo-de-roterda%2F"><br /> <img src="http://api.tweetmeme.com/imagebutton.gif&amp;source=culturadequalid&amp;style=normal&amp;hashtags=Biografia,Erasmo+de+Roterd%C3%A3,Filosofia,Teologia&amp;b=2" height="61" width="50" /><br /> </a></div><p><em><img class="alignleft size-medium wp-image-763" title="erasmo" src="http://www.cultura.dequalidade.com.br/wp-content/uploads/2009/10/erasmo-222x300.jpg" alt="erasmo" width="222" height="300" />Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.</em></p><p>Desiderius Erasmus Roterodamus, conhecido como Erasmo de Roterdão (português europeu) ou Roterdã (português brasileiro) (27 de Outubro de 1466 Roterdão — 12 de Julho de 1536, Basiléia) foi um teólogo e um humanista neerlandês.</p><p><strong>Biografia</strong></p><p>Nasceu em Geert Geertsen, em Roterdão, Holanda do Sul, Países Baixos. Acreditava (erroneamente) que a raiz da palavra Geert tivesse origem em begeren (&#8220;desejar&#8221;) e traduziu isto para o latim e para o grego. A informação sobre a sua família e sobre a sua juventude é vagamente referida nos seus escritos. Ele era quase seguramente filho ilegítimo. O seu pai foi um padre chamado Gerard. Pouco se sabe sobre a sua mãe para além do nome: Margarete. Apesar de ilegítimo, os seus pais tomaram conta dele até às suas mortes prematuras, com a peste negra, em 1483. Nessa altura a sua educação ficou a cargo de uma série de mosteiros, e foi uma educação exemplar, a melhor possível a um jovem do seu tempo.</p><p>Erasmo, com efeito, cursou o seminário com os monges agostinianos e realizou os votos monásticos aos 25 anos, aproximadamente. Contudo, diz-se que nunca viveu como tal, sendo inclusive um grande crítico da vida monástica e das características que julgava negativas na Igreja Católica.</p><p>Frequentou o Collège Montaigu, em Paris, e continuou os seus estudos na Universidade de Paris, então o principal centro da escolástica, apesar da influência crescente do Renascimento da cultura clássica, que chegava de Itália. Erasmo optou por uma vida de académico independente, independente de país, independente de laços académicos, de lealdade religiosa, e de tudo que pudesse interferir com a sua liberdade intelectual e a sua expressão literária.<br /> Os principais centros da sua actividade foram Paris, Louvain, Inglaterra e Basiléia. No entanto, nunca pertenceu firmemente a nenhum destes sítios. O seu tempo em Inglaterra foi frutuoso, tendo feito amizades para a vida com os líderes ingleses, mesmo nos dias tumultuosos do rei Henrique VIII: John Colet, Thomas More, John Fisher, Thomas Linacre e Willian Grocyn. Na Universidade de Cambridge foi o professor da divindade de Lady Margaret e teve a opção de passar o resto de sua vida como professor de inglês. Ele esteve no Queens&#8217; College, em Cambridge e é possível que tenha sido alumnus.</p><p>Foram-lhe oferecidas várias posições de honra e proveito através do mundo académico, mas ele declinou-as todas, preferindo a incerteza, tendo no entanto receitas suficientes da sua actividade literária independente.</p><p>Entre 1506 e 1509 esteve em Itália. Passou ali uma parte do seu tempo na casa editorial de Aldus Manatius em Veneza. Apesar disto, teve uma associação com académicos italianos menos activa do que se esperava.</p><p>A sua residência em Louvain expôs Erasmo a muitas críticas mesquinhas por parte daqueles que eram hostis aos princípios do progresso literário e religioso aos quais ele devotava a vida. Ele interpretava esta falta de simpatia como uma perseguição e procurou refúgio em Basiléia, onde, sob abrigo de hospitalidade suíça, pôde expressar-se livremente e onde estava rodeado de amigos. Foi lá que ele esteve associado por muitos anos com o grande editor Froben, e aonde uma multidão de admiradores de (quase) todos os cantos da Europa o vieram visitar.</p><p><strong>Escritos</strong></p><p>A produtividade literária de Erasmo começou relativamente tarde na sua vida. Apenas quando ele dominou o Latim é que começou a escrever sobre grandes temas contemporâneos em Literatura e em Religião.</p><p>A sua revolta contra as formas de vida da igreja não resultou tanto de dúvidas quanto à verdade da doutrina tradicional, nem de alguma hostilidade para com a organização da Igreja. Sentiu antes a necessidade de aplicar os seus conhecimentos na purificação da doutrina e na liberalização das instituições do cristianismo.</p><p>Como académico, tentou libertar os métodos da Escolástica da rigidez e do formalismo das tradições medievais, mas não ficou satisfeito. Ele viu-se como o pregador da retidão. A sua convicção em toda a vida foi que o que era necessário para regenerar a Europa era uma aprendizagem sã, aplicada liberalmente e sem receios pela administração de assuntos públicos da Igreja e do Estado. Esta convicção confere unidade e consistência a uma vida que, de outra forma, pode parecer plena de contradições. Erasmo viu-se livre e distante de quaisquer obrigações comprometedoras; no entanto Erasmo foi, num sentido singularmente verdadeiro, o centro do movimento literário do seu tempo. Ele correspondeu com mais de quinhentos homens da maior importância no mundo da política e do pensamento, e o seu conselho em vários assuntos era procurado avidamente, se bem que nem sempre seguido.</p><p>Aquando da sua estadia em Inglaterra, Erasmo iniciou a examinação sistemática dos manuscritos do Novo Testamento, por forma a preparar uma nova edição e uma tradução para Latim. Esta edição foi publicada por Froben de Basiléia em 1516 e foi a base da maioria dos estudos científicos da Bíblia durante o período da Reforma. Erasmo também escreveu sobre o guerreiro frísio Pier Gerlofs Donia, embora com muito mais críticas do que elogios aos feitos dele, chamando-o de &#8220;bruto estúpido que preferia a força em vez da sabedoria&#8221;.</p><p>Ele publicou uma edição crítica do Novo Testamento Grego em 1516 &#8211; Novum Instrumentum omne, diligenter ab Erasmo Rot. Recognitum et Emendatum. A edição incluiu uma tradução em Latim e anotações. Baseou-se também em manuscritos adicionais recentemente descobertos.</p><p>Na segunda edição, o termo mais familiar &#8220;Testamentum&#8221; foi usado em vez de &#8220;Instrumentum&#8221;. Esta edição foi usada pelos tradutores da versão da Bíblia do Rei Jaime I de Inglaterra. O texto ficou conhecido mais tarde como o textus receptus. Erasmo publicou mais três edições &#8211; 1522, 1527 e 1535. Foi a primeira tentativa por parte de um académico competente e liberal de averiguar aquilo que os escritores do Novo Testamento tinham efectivamente dito. Erasmo dedicou o seu trabalho ao Papa Leão X, como patrono da aprendizagem, e considerou o seu trabalho como o seu principal serviço à causa do Cristianismo. Imediatamente depois, começou a publicação das suas paráfrases do Novo Testamento, uma apresentação popular do conteúdo de vários livros. Este, como todos os seus livros, foi publicado em Latim, mas as suas obras eram imediatamente traduzidas noutras línguas, com o seu encorajamento.</p><p><strong>Protestantismo</strong></p><p>O movimento de Martinho Lutero começou no ano seguinte à publicação do Novo Testamento, e foi um teste ao carácter de Erasmo. A discussão entre a sociedade europeia e a Igreja Católica Romana tinha-se tornado tão aberta que poucos se podiam furtar a um pedido de uma opinião. Erasmo, no auge da sua fama literária, foi inevitavelmente chamado a tomar partido por um dos lados, mas partidarismo era algo de estranho à sua natureza e hábitos.</p><p>Em toda a sua crítica às tolices clericais e aos abusos, ele tinha sempre afirmado que não estava a atacar as instituições da Igreja em si e não era um inimigo do clero. O mundo inteiro tinha rido com as suas sátiras, mas poucos interferiram com as suas actividades. Ele acreditava que o seu trabalho até então o recomendava às melhores mentes e aos poderes dominantes no mundo religioso.</p><p>Erasmo tinha uma simpatia pelos pontos principais da crítica luterana à Igreja. Tinha um grande respeito pessoal por Martinho Lutero e Lutero sempre falava de Erasmo com reverência pelo seu conhecimento. Lutero esperava obter a sua cooperação num trabalho que parecia o resultado natural do seu próprio. Na sua troca de correpondência inicial, Lutero expressou uma intensa admiração por tudo o que Erasmo tinha feito pela causa de um cristianismo saudável e razoável e encorajou-o a unir-se ao movimento.</p><p>Erasmo declinou qualquer compromisso, argumentando que ao o fazer estaria a colocar em risco a sua posição como líder de um movimento por uma sabedoria pura, o que ele via como o objectivo de sua vida. Apenas como um académico independente poderia ele aspirar a influenciar a reforma da religião. A obra de Lutero foi a de providenciar uma nova base doutrinal para as tentativas até então dispersas de iniciar uma reforma. Ao reavivar os princípios quase esquecidos da teologia de Agostinho, Lutero tinha fornecido o necessário impulso para o interesse pessoal na religião, o que é a essência da Reforma Protestante. Erasmo, no entanto, temia qualquer mudança na doutrina e acreditava que não havia espaço dentro das fórmulas existentes para o tipo de reforma que ele apreciava tanto.</p><p>Por duas vezes durante o debate, ele entrou no campo da controvérsia doutrinal, uma área que era estranha à sua natureza e prácticas prévias. Um dos tópicos com que lidou foi a liberdade da vontade, um ponto crucial. No seu &#8220;De libero arbitrio diatribe sive collatio&#8221; (1524), ele analisa com inteligência e bom humor os exageros Luteranos sobre as óbvias limitações da liberdade humana. Ele apresenta ambos os lados da discussão de forma imparcial. A sua posição foi de que o Homem estava obrigado a pecar, mas que tinha o direito à misericórdia de Deus apenas se ele a procurasse pelos meios que lhe eram oferecidos pela própria Igreja. Era um Semi-Peliagianismo relaxado, abrindo o caminho para o tipo de perversões que Erasmo e os reformadores combatiam. A &#8220;diatribe&#8221; não encorajava qualquer acção definida; este era o seu mérito aos olhos dos Erasmianos e o seu defeito aos olhos dos Luteranos.<br /> Quando Erasmo hesitou em apoiá-lo, isto pareceu aos olhos de Lutero, um homem directo, um evitar de responsabilidade que era devido ou a cobardice ou a falta de visão. No entanto, o lado Católico Romano, que pretendia igualmente manter o apoio de um homem que se tinha declarado tantas vezes como leal aos princípios da Igreja, viu na relutância de Erasmo em tomar partido um sinal de suspeita da deslealdade perante o Catolicismo. A atitude de Erasmo para com a Reforma Protestante pode no entanto ser vista como consistente.</p><p>Os males que ele combateu foram os de forma ou foram males de um tipo curável apenas por uma longa e lenta regeneração na moral e vida espiritual na Europa. O programa da &#8220;Reforma de Erasmo&#8221; era de usar a aprendizagem para remover os piores excessos. No entanto, falhou em oferecer qualquer método tangível para aplicar os seus princípios ao sistema da Igreja existente. Quando Erasmo foi acusado de ter &#8220;posto o ovo que Lutero chocou&#8221; ele admitiu parcialmente a verdade da acusação mas disse que tinha esperado uma outra espécie de pássaro completamente diferente.</p><p>À medida que a opinião pública começa a reagir às opiniões de Lutero, as desordens sociais que Erasmo temia começaram a aparecer. A Guerra dos Camponeses, os distúrbios do Anabaptistas na Alemanha e nos Países Baixos, iconoclastia e radicalismo por toda a parte, parecem confirmar as suas previsões mais obscuras. Se este era o resultado da reforma, ele preferia estar de fora. No entanto, ele começava a ser acusado cada vez mais pela &#8220;tragédia&#8221;. Na Suíça, ele estava ainda mais exposto pela sua associação com homens que eram suspeitos de doutrinas extremamente racionalistas.</p><p>A questão-teste era a doutrina dos Sacramentos, e o cerne da questão a observância da Eucaristia. Em parte para livrar-se de suspeitas, Erasmo publicou em 1530 uma nova edição do tratado ortodoxo de Algerus contra o herético Berengar de Tours no século XI. Ele acrescentou uma dedicatória, afirmando acreditar na realidade do corpo de Jesus Cristo após a bênção na Eucaristia, mas admitia que a forma em que este mistério deveria ser expressa fosse matéria de debate. Era-lhe aceitável que a Igreja pregasse a doutrina à maioria dos cristãos e a especulação ficasse mais segura nas mãos dos filósofos. Aqui e acolá Erasmo aponta o princípio de que um homem pode ter duas opiniões sobre assuntos religiosos, uma para si mesmo e seus amigos mais íntimos e outra para o público. Aqueles que se opunham aos Sacramentos, liderados por Oecolampadius de Basiléia, estavam, como Erasmo diz, mencionando-o como alguém com ideias semelhantes. Ele nega isto, mas na sua negação traiu aquilo que em conversas particulares é tido como uma visão racional da doutrina da Eucaristia. Tal como no caso da vontade livre, não tinha aqui a aprovação da Igreja.</p><p><strong>Últimos anos</strong></p><p>A sua obra mais conhecida, &#8220;Praise of Folly&#8221; (&#8220;Elogio da Loucura&#8221;), foi dedicada ao seu amigo Sir Thomas More. Em 1536 ele escreveu &#8220;De puritate ecclesiae christianae&#8221;, na qual ele tentou reconciliar os diferentes partidos. Muito dos seus escritos apelam a uma grande audiência e lidam com assuntos do interesse humano geral; ele parece ter considerado estes como uma diversão, uma actividade de lazer. Os seus escritos mais sérios começaram cedo com a &#8220;Enchiridion Militis Christiani&#8221; , o &#8220;Manual (ou adaga) do cavalheiro cristão&#8221; (1503). Nesta breve obra, Erasmo esquematiza as perspectivas da vida cristã normal, uma tarefa que se lhe tornaria constante na sua vida. O principal mal dos seus dias, diz ele, é o formalismo, um respeito por tradições sem consideração pelo verdadeiro ensinamento de Cristo. O remédio é que cada homem se pergunte a cada ponto &#8220;Qual a coisa essencial?&#8221;, fazendo-o sem receio. Formas podem esconder ou sufocar o espírito. Na sua examinação dos perigos do formalismo, Erasmo discute a vida monástica, a veneração dos santos, a guerra, o espírito de classe e as fraquezas da &#8220;sociedade&#8221;, mas o &#8220;Enchiridion&#8221; é mais um sermão do que uma sátira. O seu texto acompanhante, o &#8220;Institutio Principis Christiani&#8221; (Basiléia, 1516), foi escrito como conselho ao jovem Rei Carlos de Espanha, mais tarde Carlos V, Sacro-Imperador Romano. Erasmo aplica os princípios gerais de honra e de sinceridade às especiais funções do Príncipe, quem ele apresenta como um servidor do povo.</p><p>Como resultado das suas actividades reformadoras, Erasmo viu-se em conflito com ambas as grandes posições. Os seus últimos anos de vida foram ofuscados por controvérsias amargas com pessoas para quem ele seria normalmente simpático. Notavelmente entre estes encontrava-se Ulrich von Hutten, um génio brilhante mas errático, que se entregara à causa de Lutero e tinha declarado que Erasmo, se tivesse uma faísca que fosse de honestidade, faria o mesmo. Na sua resposta &#8220;Spongia adversus aspergines Hutteni&#8221; (1523), Erasmo demonstra o seu pleno domínio da semântica. Ele acusa Hutten de ter interpretado mal o seu discurso sobre a reforma e reitera a sua determinação em não tomar partido nunca.<br /> Quando a cidade de Basiléia se tornou oficialmente &#8220;reformada&#8221; em 1529, Erasmo deixou de residir ali, tendo-se mudado para a cidade imperial de &#8220;Freiburg im Breisgau&#8221;. Parece indicar que ele viu como mais fácil manter a sua neutralidade sob o domínio Católico Romano do que em condições protestantes. A sua actividade literária permaneceu inabalada, maioritariamente na composição religiosa e didáctica. A obra mais importante deste último período é a &#8220;Ecclesiastes&#8221;, ou &#8220;Pregador do Evangelho&#8221; (Basiléia, 1535), na qual ele aponta a função de pregador como o serviço mais importante do padre cristão, uma ênfase protestante. O seu pequeno tratado de 1533, &#8220;Preparação para a Morte&#8221;, no qual ele coloca ênfase na importância de uma boa vida como condição essencial para uma morte feliz, mostra outra tendência.</p><p>Erasmo retornou a Basiléia, a sua casa mais feliz, em 1535, após ausência de seis anos. Lá, de novo entre o grupo de académicos protestante que eram seus amigos de longa data, e sem ter qualquer contacto que seja conhecido com a Igreja Católica Romana, Erasmo faleceu. Durante a sua vida, as autoridades da Igreja Católica nunca o tinham chamado a justificar as suas opiniões. Os ataques à sua pessoa foram de pessoas privadas, e os seus protectores tinham sido pessoas em altas posições. Em 1535 o Papa Paulo III intentou eleva-lo à condição de Cardeal, mas Eramus alegou a sua avançada idade e estado de saúde para recusar. Após a sua morte, como reacção da Igreja Católica Romana, os seus escritos viriam a ser colocados no Index dos livros proibidos (ver Index Librorum Prohibitorum).</p><p><strong>Legado</strong></p><p>A popularidade extraordinária dos seus livros fica patente pelo número de edições e traduções que surgiram desde o século XVI, e no interesse permanente que é suscitado pela sua personalidade esquiva mas fascinante. Dez colunas do catálogo da &#8220;British Library&#8221; estão ocupados com a mera enumeração de suas obras e subsequentes reedições. Grandes nomes da era clássica e dos pais da igreja foram traduzidos, editados ou comentados por Erasmo, incluindo Santo Ambrósio de Milão, Aristóteles, Santo Agostinho, São Basílio, São João Crisóstomo, Cícero, e Santo Jerónimo.</p><p>Erasmo faleceu em Basiléia, Suíça.</p><p>Seu principal livro foi &#8220;Elogio da Loucura&#8221;</p> Recomendo que leia:<ul><li><a href="http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/download/elogio-da-loucura-e-book-erasmo-de-roterda/" rel="bookmark" title="27 de outubro de 2009">Elogio da Loucura &#8211; e-book &#8211; Erasmo de Roterdã</a></li><li><a href="http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/biografia/biografia-de-tommaso-campanella/" rel="bookmark" title="22 de outubro de 2009">Biografia de Tommaso Campanella</a></li><li><a href="http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/pensamento-filosofico/ideais-de-tommaso-campanella/" rel="bookmark" title="22 de outubro de 2009">Ideais de Tommaso Campanella</a></li><li><a href="http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/biografia/biografia-de-santo-agostinho/" rel="bookmark" title="17 de outubro de 2009">Biografia de Santo Agostinho</a></li><li><a href="http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/biografia/biografia-de-kant/" rel="bookmark" title="1 de novembro de 2009">Biografia de Kant</a></li></ul><!-- Similar Posts took 20.894 ms -->]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/biografia/biografia-de-erasmo-de-roterda/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>2</slash:comments> </item> <item><title>Biografia de Tommaso Campanella</title><link>http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/biografia/biografia-de-tommaso-campanella/</link> <comments>http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/biografia/biografia-de-tommaso-campanella/#comments</comments> <pubDate>Thu, 22 Oct 2009 16:25:15 +0000</pubDate> <dc:creator>Fabiano</dc:creator> <category><![CDATA[Biografia]]></category> <category><![CDATA[Filosofia]]></category> <category><![CDATA[Teologia]]></category> <category><![CDATA[Tommaso Campanella]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.cultura.dequalidade.com.br/?p=693</guid> <description><![CDATA[Crítico de Aristóteles e da escolástica. Em sua obra, coloca-se contra a propriedade privada e procura conciliar os dogmas cristãos com as novas concepções científicas e religiosas. ]]></description> <content:encoded><![CDATA[<div style="float:right;margin:0px 0px 0px 0px;"></div><div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;"> <a href="http://api.tweetmeme.com/share?url=http%3A%2F%2Fwww.cultura.dequalidade.com.br%2Findex.php%2Fbiografia%2Fbiografia-de-tommaso-campanella%2F"><br /> <img src="http://api.tweetmeme.com/imagebutton.gif&amp;source=culturadequalid&amp;style=normal&amp;hashtags=Biografia,Filosofia,Teologia,Tommaso+Campanella&amp;b=2" height="61" width="50" /><br /> </a></div><p><em><img class="alignleft size-medium wp-image-695" title="campanella" src="http://www.cultura.dequalidade.com.br/wp-content/uploads/2009/10/campanella-247x300.jpg" alt="campanella" width="247" height="300" />Origem: <a href="http://www.cobra.pages.nom.br/fmp-campan.html" target="_blank">cobra</a></em></p><p>Por Rubem Queiroz Cobra<br /> Doutor em Geologia e bacharel em Filosofia</p><p>Nascido em Stilo, na Calábria, em 05/09/1568 (faleceu maio 1639), Campanella foi batizado Giovano Domenico Campanella, e depois tomou o nome de Frei Tommaso Campanella, ao receber o hábito dominicano, aos 15 anos (1583). Se diz que foi uma criança de inteligência precoce. Seu treinamento formal em filosofia e teologia foi no convento dominicano. Cedo em sua carreira se desencantou com a filosofia Aristotélica. A principal influência intelectual que teve foi da doutrina de Bernardino Telésio (1509-1588), um antiaristotélico de Cosenza, reino de Nápoles, cuja principal obra, De Rerum Natura o impressionou muito. Convém examinar em que consistiu essa influência.</p><p>O principal discurso de Telésio era que todo conhecimento é sensação e que a inteligência é, portanto, uma coleção de dados isolados proporcionados pelos sentidos. A natureza devia ser explicada &#8220;com seus próprios princípios e não através dos conceitos Aristotélicos ou da magia; conhecer a natureza com a própria natureza; ao homem que souber observá-la a natureza se revelará por si mesma (Obra: &#8220;Sobre a Natureza de Acordo com seus Próprios Princípios&#8221;, pb. 1565 colocada no Index após sua morte, em 1596). Para ele, Telésio, conhecer é sentir; a consciência não é senão sensação. Atividade física e atividade espiritual não diferem: o intelecto é um dos sentidos, apenas mais sutil. A alma é material: sua dilatarão é o prazer; sua contração, a dor. Não nega a realidade que ultrapassa a natureza, que é Deus. Além da alma material o homem tem uma alma espiritual, que lhe permite intuir (não se trata mais de sentir) o além-sensível e o eterno. Nesta alma está o fundamento do mundo moral, porque nela está a liberdade que eleva o homem acima do jogo mecânico das forças físicas. A filosofia de Telésio, muito influente no sul da Itália, apontava o caminho para o empirismo. Repele o método dedutivo que faz mover as razões de pressupostos apriorísticos e fundamenta a validade da razão sobre a experiência. O seu sensismo lança as bases do método experimental.</p><p>Campanella foi a Nápoles em 1589, sem permissão da sua congregação, publicar Philosophia Sensibus Demonstrata (&#8220;Filosofia Demonstrada pelos Sentidos&#8221;, saiu em 1591), em defesa de Telésio. Neste seu trabalho, Campanella reflete a preocupação de Telésio de uma aproximação empírica dos problemas filosóficos. Atitude semelhante Campanella terá mais tarde para com Galileu.</p><p>A partir de então os escritos de Campanella salientam a necessidade da experiência humana como uma base para a filosofia. O sujeito sensciente (consciência pela via do sentir) sente primeiro a si mesmo e depois o calor, isto é, sente o calor através de si mesmo mudado pelo calor.</p><p>Sua obra é mesclada de vários elementos (neoplatônicos, materialismo de Demócrito, magia, astrologia, medicina, poesia. Sugere também a utilização da teoria de Demócrito (autor da teoria atômica &#8211; 520-440 AC) quanto às qualidades sensíveis primárias ou comuns (figura, grandeza, peso, movimento ou repouso) e as qualidades secundárias ou próprias (cor, som).</p><p>Em Nápoles, em 1589, entrou em contacto com Giambattista della Porta, um erudito que reunia em torno de si diversos grupos de pensadores e interessados em experiências, magia branca, e astrologia. Campanella aqui participa de experimentas primitivos, e de estudos de astrologia.</p><p>O livro motivou sua prisão e julgamento por heresia. A audácia de suas idéias e expressões provoca suspeitas e acusações contra ele. Seus pensamentos haviam se afastado tanto da ortodoxia Dominicana que ele foi denunciado à inquisição. Primeiro processo em 1591 e em 1592. É preso sob suspeita de obter conhecimentos de fonte diabólica (pontificado de Gregório XIV (1590-1591) e de Inocêncio IX (1591)).</p><p>Foi libertado meses depois com a condição de retornar ao convento na Calábria, mas em vez disso, viajou para Florença: o Grão Duque promete-lhe uma cátedra em Pisa, mas não consegue que seja aceito na universidade devido ao seu anti-aristotelismo.</p><p>Dirige-se para Pádua. A meio caminho, em Bolonha, foi abordado pela justiça eclesiástica e teve confiscados os manuscritos que levava e que, mais tarde, em 1594, serão apresentados contra ele no tribunal do Santo Ofício em Roma.</p><p>Chegado em Pádua, encontra-se com Galileu. Mas é novamente preso e se acha logo implicado em quatro processos. Um deles sob acusação de sodomia, de que é; em outro, é acusado de ter discutido com um judeu questões da fé católica. Foi de lá enviado preso a Roma, para julgamento, 1594 (Bruno lá está preso desde o ano anterior).</p><p>Enquanto preso, Campanella escreveu obras teocráticas que o absolveram: De Monarchia Christianorum, De regimine Ecclesiae, Discorsi universali del governo ecclesiastico, Dialogo politico contro Luterani (1595). Em 1596 renunciou à heresia de que era acusado, conseguindo absolvição.</p><p>Em Stilo, para onde retorna em 1598, a miséria do povo o comove, pensa fundar um novo governo na Calábria em 1599.</p><p>Começa a pregar a idéia da teocracia universal sob a religião e a lei da natureza. O sol representava Deus. O movimento toma forma de conjuração para expulsar os espanhóis de Nápoles e da Sicília. O golpe é descoberto. O vice-rei de Nápoles dá ordem para a repressão e ele é levado a ferros para Nápoles com outros presos, para ser julgado por heresia e sedição.</p><p>Em 29 de setembro de 1599 dois dos detidos foram condenados &#8220;à roda e despedaçados no meio da praça pública&#8221;, outros dependurados por um pé e vinte e quatro horas após esquartejados e exposta sua cabeça em uma jaula; os outros (e Campanella entre eles) foram transportados por mar a Nápoles em quatro galeras, e ao entrar no porto, a 8 de novembro de 1599, viam-se em cada nave um dependurado e dois esquartejados para escarmento do povo.</p><p>Torturado, confessa o que querem e, sabendo que seria morto, finge loucura: a lei não permite executar uma sentença de morte contra um louco, que não podia salvar a sua alma da condenação eterna mediante o arrependimento. Para tirar a prova da loucura é submetido à tortura da vigília, prolongada por 36 horas. Com as carnes em pedaços e sangrando, mas salvo; deveria ser mantido em prisão perpétua.</p><p>Escreveu no cárcere várias obras, entre elas Metafísica, Monarchia di Spagna (1599-1601) e a famosa &#8220;Cidade do Sol&#8221;. A Metafísica pretendia ser um sistema filosófico e teológico completo.</p><p>Dirige cartas ao Papa e aos cardeais (1606-1607) procurando justificar-se e obter o perdão. Passa a gozar certa liberdade, podendo inclusive dar aulas, pois o vice-rei tinha interesse em seus conhecimentos de magia e astrologia.</p><p>Entre seus interesses, como de resto acontecia aos eruditos na idade moderna, principalmente no início, misturam-se política, filosofia, medicina, magia e astronomia. Entusiasmou-se com o Nuncius Sidereus de Galileu, pois causou-lhe (por motivos de sua teologia) grande alvoroço as provas de que o Sol era o centro do nosso sistema (ele queria que fosse o centro do universo). Sem pensar no perigo que enfrenta, escreve a favor de Galileu contra a inquisição em 1616 Apologia pro Galileu defendendo os direitos da ciência frente à religião.</p><p>Põe-se contra o decreto proferido pelo tribunal eclesiástico em 1616, que considerava a doutrina heliocêntrica nociva para a fé. Repete, como Giordano Bruno e os outros sustentadores da doutrina da dupla verdade, que a verdade religiosa e a filosófica não podem entrar em conflito, porque têm campo diferente: uma a da conduta moral e da vida futura; a outra, o do conhecimento deste mundo.</p><p>Campanella escreve: &#8220;No Evangelho não se lê que Cristo tratasse jamais de assuntos físicos ou astronômicos, mas de coisas morais e das promessa da vida eterna&#8221; As idéias de Campanella nessa ocasião eram consideradas heterodoxas e heréticas pela autoridade eclesiástica romana, e por isso a Apologia pro Galileu era um ato de ousadia.</p><p>Na prisão escreveu também poemas líricos (&#8220;Seleções&#8221;, 1622) considerada a poesia mais original (italiana) da época.</p><p>Sua obra mais importante para muitos é a sua Metafísica, escrita entre 1602 e 1603, publicada na França em 1638. Nela expõe sua teoria da metafísica baseada numa estrutura trinitária de poder, saber e amor.</p><p>Nos 30 livros da Teologia ele revisa as doutrinas católicas à luz da sua teoria metafísica.</p><p>Em 1626, no pontificado liberal de Urbano VIII, (1623-1644) por influência de alguém, possivelmente do próprio vice-rei, Campanella é libertado, após 27 anos de prisão.</p><p>Após sua libertação em 1626 Campanella tentou em vão que suas idéias fossem aceitas pela Igreja. Deu oportunidade a que o Santo Ofício logo o prendesse novamente (com certeza desconsiderando o poder por cuja influência, pouco antes, o libertara). É enviado a Roma, onde somente em 1628, pelo interesse despertado no Papa por seu folheto astrológico De fato siderali viatando, consegue ser chamado ao palácio pontifical a fim de realizar práticas mágicas e astrológicas.</p><p>Aproveita para tentar convencer a Igreja a buscar um regime de unificação política de todo o mundo sob sua égide. O resultado foi sua libertação definitiva em 1629. Ficara 30 anos na prisão.</p><p>Em 1632, quando Galileu é condenado devido ao Dialogo dei massimi sistemi, Campanella se oferece como defensor no processo, e com isso atrai as atenções da inquisição que faz o seqüestro dos exemplares da Monarchia Messiae.</p><p>Para não ser ligado por suspeita a uma sedição em Nápoles, em 1634, fugiu para a França, que via ser o país que mais prometia facilitar a unificação política do mundo. Foi bem recebido por Luís XIII e por Richelieu.</p><p>Publicou várias obras na França até sua morte em 26 de março de 1639.</p> Recomendo que leia:<ul><li><a href="http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/pensamento-filosofico/ideais-de-tommaso-campanella/" rel="bookmark" title="22 de outubro de 2009">Ideais de Tommaso Campanella</a></li><li><a href="http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/biografia/biografia-de-erasmo-de-roterda/" rel="bookmark" title="27 de outubro de 2009">Biografia de Erasmo de Roterdã</a></li><li><a href="http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/biografia/biografia-de-santo-agostinho/" rel="bookmark" title="17 de outubro de 2009">Biografia de Santo Agostinho</a></li><li><a href="http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/download/a-cidade-do-sol-e-book-tommaso-campanella/" rel="bookmark" title="23 de outubro de 2009">A Cidade do Sol &#8211; e-book &#8211; Tommaso Campanella</a></li><li><a href="http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/biografia/biografia-de-thomas-hobbes/" rel="bookmark" title="9 de outubro de 2009">Biografia de Thomas Hobbes</a></li></ul><!-- Similar Posts took 7.400 ms -->]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/biografia/biografia-de-tommaso-campanella/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>3</slash:comments> </item> <item><title>Biografia de Santo Agostinho</title><link>http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/biografia/biografia-de-santo-agostinho/</link> <comments>http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/biografia/biografia-de-santo-agostinho/#comments</comments> <pubDate>Sat, 17 Oct 2009 15:00:40 +0000</pubDate> <dc:creator>Fabiano</dc:creator> <category><![CDATA[Biografia]]></category> <category><![CDATA[Filosofia]]></category> <category><![CDATA[Teologia]]></category> <category><![CDATA[Santo Agostinho]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.cultura.dequalidade.com.br/?p=564</guid> <description><![CDATA[Santo Agostinho é considerado como um dos maiores Padres da Igreja. Sua influência para a posterioridade foi notável. O bispo de Hipona era teólogo, filósofo, místico, poeta, orador, apologista e escritor.
Pode ser considerado as “paredes” que sustentam todo o modo de pensar do Ocidente.]]></description> <content:encoded><![CDATA[<div style="float:right;margin:0px 0px 0px 0px;"></div><div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;"> <a href="http://api.tweetmeme.com/share?url=http%3A%2F%2Fwww.cultura.dequalidade.com.br%2Findex.php%2Fbiografia%2Fbiografia-de-santo-agostinho%2F"><br /> <img src="http://api.tweetmeme.com/imagebutton.gif&amp;source=culturadequalid&amp;style=normal&amp;hashtags=Biografia,Filosofia,Santo+Agostinho,Teologia&amp;b=2" height="61" width="50" /><br /> </a></div><p><img class="alignleft size-full wp-image-565" title="santo-agostinho-4" src="http://www.cultura.dequalidade.com.br/wp-content/uploads/2009/10/santo-agostinho-4.jpg" alt="santo-agostinho-4" width="200" height="269" />Aurélio Agostinho (em latim: Aurelius Augustinus), Agostinho de Hipona,[1] ou Santo Agostinho[2] (Tagaste, 13 de Novembro de 354 — Hipona, 28 de Agosto de 430), foi um bispo, escritor, teólogo, filósofo, padre e Doutor da Igreja Católica.</p><p>Agostinho é uma das figuras mais importantes no desenvolvimento do cristianismo no Ocidente. Agostinho foi muito influenciado pelo neoplatonismo de Plotino.[3] Ele aprofundou o conceito de pecado original dos padres anteriores e, quando o Império Romano do Ocidente começou a se desintegrar, desenvolveu o conceito de Igreja como a cidade espiritual de Deus (em um livro de mesmo nome), distinta da cidade material do homem.[4] Seu pensamento influenciou profundamente a visão do homem medieval. A igreja se identificou com o conceito de Cidade de Deus de Agostinho, e também a comunidade que era devota de Deus.[5]<br /> Agostinho nasceu na cidade de Tagaste,[6] atual Souk Ahras, Argélia, e sua mãe, católica, se chamava Mônica. Foi educado no Norte da África e resistiu aos pedidos da mãe para se tornar cristão. Vivendo como um intelectual pagão, ele tomou uma concubina e se tornou um maniqueísta. Posteriormente se converteu para a Igreja Católica, se tornou um bispo, e se opôs às heresias, como a crença que as pessoas possuem a habilidade de escolher fazer um bem tão forte que poderia merecer a salvação sem receber a ajuda divina (pelagianismo).<br /> Na Igreja Católica Romana, e na Igreja Anglicana, é um santo, e um importante doutor da Igreja, e o patrono da ordem religiosa agostinha; seu memorial é celebrado no dia 28 de agosto. Muitos protestantes, especialmente calvinistas, o consideram como um dos pais teólogos da Reforma Protestante ensinando a salvação e a graça divina. Na Igreja Ortodoxa Oriental ele é louvado, e seu dia festivo é celebrado em 15 de junho, apesar de uma minoria ser da opinião que ele é um herege, principalmente por causa de suas mensagens sobre o que se tornou conhecido como a cláusula filioque.[7] Entre os ortodoxos é chamado de &#8220;Agostinho Abençoado&#8221;, ou &#8220;Santo Agostinho o Abençoado&#8221;.[8]</p><p><strong>Biografia</strong></p><p>Agostinho nasceu na cidade de Tagaste, a atual Souk Ahras, uma província romana da cidade no Norte de África, na Argélia, filho de pai pagão, Patrício e mãe católica, Santa Mônica. Foi educado no Norte de África e resistiu aos ensinamentos de sua mãe para se tornar cristão.<br /> Agostinho era de ascendência berbere. Com 11 anos de idade, foi enviado para a escola em Madaura, uma pequena cidade da Numídia. Lá ele tornou-se familiarizado com a literatura latina, bem como práticas e crenças pagãs. Em 369 e 370, ele permaneceu em casa.<br /> Durante esse período ele leu o diálogo Hortensius de Cícero (hoje perdido), que deixou uma impressão duradoura sobre ele e despertou-lhe o interesse pela filosofia e passou a ser um seguidor do maniqueísmo.<br /> Com 17 anos, graças à generosidade de um concidadão Romaniano, o pai de Agostinho pode enviá-lo para Cartago para continuar sua educação na retórica. Vivendo como um pagão intelectual, ele tomou uma concubina; numa tenra idade, ele desenvolveu uma relação estável com uma mulher jovem em Cartago, com a qual teve um filho, Adeodato.<br /> Durante os anos 373 e 374, Agostinho ensinou gramática em Tagaste. No ano seguinte, mudou-se para Cartago a fim de ocupar o cargo de professor da cadeira municipal de retórica, e permanecerá lá durante os próximos nove anos.<br /> Desiludido pelo comportamento indisciplinado dos alunos em Cartago, em 383, mudou-se para estabelecer uma escola em Roma, onde ele acreditava que os melhores e mais brilhantes retóricos ensinaram. No entanto, Agostinho ficou desapontado com as escolas romanas, que ele encontrou apática. Quando chegou o momento para os seus alunos para pagar os seus honorários eles simplesmente fugiram.<br /> Amigos maniqueístas apresentaram-lhe o prefeito da cidade de Roma, Symmachus, que tinha sido solicitado a fornecer um professor de retórica imperial para o tribunal provincial em Milão. Agostinho ganhou o emprego e ocupou o cargo no final de 384.</p><p><strong>Conversão</strong></p><p>Enquanto ele estava em Milão, Agostinho mudou de vida. Ainda em Cartago, começou a abandonar o maniqueísmo, em parte devido a um decepcionante encontro com um chefe expoente da teologia maniqueísta, Fausto.<br /> Em Roma, ele relata ter completamente se afastado do maniqueísmo, e abraçou o movimento cético da Academia Neoplatónica. Sua mãe insistia para que ele se tornasse cristão e também seus próprios estudos sobre o Neoplatonismo também foram levando-o neste sentido, e seu amigo Simplicianus instou-o dessa forma também. Mas foi a oratória do bispo de Milão, Ambrósio, que teve mais influência sobre a conversão de Agostinho.<br /> A mãe de Agostinho havia-o seguido para Milão e insistiu para que abandonasse a relação com a mulher com quem vivia ilegalmente e procurasse outra para casar, conforme as leis do mundo e a doutrina cristã. A amada foi mandada de volta para a África e Agostinho deveria esperar dois anos para contrair casamento legal; mas logo ligou-se a uma concubina.<br /> No Verão de 386, após ter lido um relato da vida de Santo António do Deserto, de Santo Atanásio de Alexandria, que muito inspirou-lhe, Agostinho sofreu uma profunda crise pessoal. Decidiu se converter ao cristianismo católico, abandonar a sua carreira na retórica, encerrar sua posição no ensino em Milão, desistir de qualquer idéia de casamento, e dedicar-se inteiramente a servir a Deus e às práticas do sacerdócio.<br /> A chave para esta transformação foi à voz de uma criança invisível, que ouviu enquanto estava em seu jardim em Milão, que cantava repetidamente, &#8220;Tolle, lege&#8221;; &#8220;tolle, lege&#8221; (&#8220;toma e lê&#8221;; &#8220;toma e ler&#8221;). Ele tomou o texto da epístola de Paulo aos romanos, e abriu ao acaso em 13:13-14, onde lê-se: Não caminheis em glutonerias e embriaguez, nem em desonestidades e dissoluções, nem em contendas e rixas, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não procureis a satisfação da carne com seus apetites.[9]<br /> Ele narra em detalhes sua jornada espiritual em sua famosa &#8220;Confissões&#8221; (Confessions), que se tornou um clássico tanto da teologia cristã quanto da literatura mundial. Ambrosio batizou Agostinho, juntamente com seu filho, Adeodato, na Vigília da Páscoa, em 387, em Milão, e logo depois, em 388 ele retornou à África. Em seu caminho de volta à África sua mãe morreu, tal como fez logo após o seu filho, deixando-o sozinho, sem família.</p><p><strong>Bispo</strong></p><p>Após o regresso ao Norte da África, vendeu seu patrimônio e deu o dinheiro aos pobres. A única coisa com que ele ficou foi a casa da família, que se converteu em uma fundação monástica para si e um grupo de amigos.<br /> Em 391 ele foi ordenado sacerdote em Hipona (hoje Annaba, na Argélia). Em 396 foi eleito bispo coadjutor de Hipona (auxiliar, com o direito de sucessão depois da morte do bispo corrente) e pouco depois bispo principal. Ele permaneceu nessa posição em Hipona até sua morte em 430.<br /> Ele deixou o seu mosteiro, mas continuou a levar uma vida monástica na residência episcopal. Ele deixou uma regra (latim, regulamentos) para seu mosteiro que o levou ser designado o &#8220;santo padroeiro do clero regular&#8221;, isto é, sacerdotes que vivem por uma regra monástica.<br /> Sua vida foi registrada pela primeira vez por seu amigo São Possídio, bispo de Calama, no seu Sancti Augustini Vita. Descreveu-o como homem de poderoso intelecto e um enérgico orador, que em muitas oportunidades defendeu a fé católica contra todos os detratores.<br /> Possídio também descreveu traços pessoais de Agostinho com detalhe, desenhando um retrato de um homem que comia com parcimónia, trabalhou incansavelmente, desprezando fofocas, rejeitadando as tentações da carne, e que exerceu a prudência na gestão financeira conforme sua posição e autoridade de bispo.<br /> Sua vida não é tranquila: missa diária, prega até duas vezes ao dia, dá catequese, administra bens temporais, resolve questões de justiça (cerca, muro, dívidas, brigas de família…), atende aos pobres e orfãos, etc.</p><p>Pouco antes da morte de Agostinho, a África romana foi invadida pelos Vândalos, uma tribo guerreira com simpatias com o Arianismo. Pouco depois de Hipona ser cercada pelos bárbaros Agostinho adoeceu; Possídio relata que ele gastou seus últimos dias em oração e penitência, pedindo para que os Salmos penitenciais de Davi fossem pendurados em sua parede para que ele pudesse ler. Pouco tempo após sua morte, os Vândalos levantaram o cerco de Hipona, mas não muito tempo depois eles voltaram e queimaram a cidade. Eles destruíram tudo, mas a catedral de Agostinho e a biblioteca ficaram inalteradas.<br /> Agostinho foi canonizado por reconhecimento popular e reconhecido como um Doutor da Igreja. O seu dia é 28 de Agosto, o dia no qual ele supostamente morreu. Ele é considerado o santo padroeiro dos cervejeiros, impressores, teólogos e de um grande número de cidades e dioceses.</p><p><strong>Pensamento</strong></p><p><strong>O Problema do Mal</strong></p><p>Em seu livro &#8216;O Livre-arbítrio&#8217;, Santo Agostinho tenta provar de forma filosófica de que Deus não é o criador do mal. Pois, para ele, tornava-se inconcebível o fato de que um ser tão bom, pudesse ter criado o mal.<br /> A concepção que Agostinho tem do mal, esta baseada na teoria platônica, assim o mal não é um ser, mas sim a ausência de um outro ser, o bem. O mal é aquilo que &#8220;sobraria&#8221; quando não existe mais a presença do bem. Deus seria a completa personificação deste bem, portanto não poderia ter criado o mal.<br /> No diálogo com seu amigo Evódio, Agostinho tenta explicar-lhe de que a origem do mal esta no Livre-Arbítrio concedido por Deus. Deus em sua perfeição, quis criar um ser que pudesse ser autônomo e assim escolher o bem de forma voluntária. O homem, então, é o único ser que possuiria as faculdades da vontade, da liberdade e do conhecimento. Por esta forma ele é capaz de entender os sentidos existentes em si mesmo e na natureza. Ele é um ser capacitado a escolher entre algo bom (proveniente da vontade de Deus) e algo mal (a prevalência da vontade das paixões humanas).<br /> Entretanto, por ter em si mesmo a carga do pecado original de Adão e Eva, estaria constantemente tendenciado a escolher praticar uma ação que satisfizesse suas paixões (a ausência de Deus em sua vida). Deus, portanto, não é o autor do mal, mas é autor do livre-arbítrio, que concede aos homens a liberdade de exercer o mal, ou melhor, de não praticar o bem.</p><p><strong>Influência como pensador e teólogo</strong></p><p>Na história do pensamento ocidental, sendo muito influenciado pelo platonismo e neoplatonismo, particularmente por Plotino, Agostinho foi importante para o baptismo do pensamento grego e a sua entrada na tradição cristã e, posteriormente, na tradição intelectual europeia. Também importantes foram os seus adiantados e influentes escritos sobre a vontade humana, um tópico central na ética, que se tornaram um foco para filósofos posteriores, como Schopenhauer e Nietzsche, mas ainda encontrando eco na obra de Camus e Hannah Arendt (ambos os filósofos escreveram teses sobre Agostinho).<br /> É largamente devido à influência de Agostinho que o cristianismo ocidental concorda com a doutrina do pecado original. Os teólogos católicos geralmente concordam com a crença de Agostinho de que Deus existe fora do tempo e no &#8220;presente eterno&#8221;; o tempo só existe dentro do universo criado.<br /> O pensamento de Agostinho foi também basilar na orientação da visão do homem medieval sobre a relação entre a fé cristã e o estudo da natureza. Ele reconhecia a importância do conhecimento, mas entendia que a fé em Cristo vinha restaurar a condição decaída da razão humana, sendo portanto mais importante. Agostinho afirmava que a interpretação das escrituras deveria ser feita de acordo com os conhecimentos disponíveis, em cada época, sobre o mundo natural. Escritos como sua interpretação do livro bíblico do Génesis, como o que chamaríamos hoje de um &#8220;texto alegórico&#8221;, iriam influenciar fortemente a Igreja medieval, que teria uma visão mais interpretativa e menos literal dos textos sagrados.<br /> Tomás de Aquino tomou muito de Agostinho para criar sua própria síntese do pensamento filosófico grego e do cristão. Dois teólogos posteriores que admitiram influência especial de Agostinho foram João Calvino e Cornelius Jansen.</p><p><strong>Notas e referências</strong></p><p>1. ? Wells, J.. Longman Pronunciation Dictionary. 2.ed. New York: Longman, 2000.<br /> 2. ? The American Heritage College Dictionary. Boston: Houghton Mifflin Company, 1997. pp. 91.<br /> 3. ? Cross, Frank L.; Livingstone, Elizabeth. The Oxford Dictionary of the Christian Church. Oxford Oxfordshire: Oxford University Press, 2005.<br /> 4. ? Durant, Will. Caesar and Christ: a History of Roman Civilization and of Christianity from Their Beginnings to A.D. 325. New York: MJF Books, 1992.<br /> 5. ? Wilken, Robert L.. The Spirit of Early Christian Thought. New Haven: Yale University Press, 2003. pp. 291.<br /> 6. ? Thagaste na Catholic Encyclopedia.<br /> 7. ? Archimandrite [now Archbishop] Chrysostomos. &#8220;Book Review: The Place of Blessed Augustine in the Orthodox Church&#8221;. Orthodox Tradition II: 40–43. Página visitada em 28 de junho de 2007.<br /> 8. ? &#8220;&#8216;Abençoado&#8217;, aqui, não significa que ele é menos que um santo, porém é um título concedido a ele como sinal de respeito.&#8221; &#8220;Blessed Augustine of Hippo: His Place in the Orthodox Church: A Corrective Compilation&#8221;. Orthodox Tradition XIV: 33–35. Página visitada em 28 de junho de 2007.<br /> 9. ? Citação tal como traduzida nas Confissões, edição Nova Cultural 1999, Coleção &#8220;OS PENSADORES&#8221;, p. 223, apresentada na bibliografia.</p><p><strong>Bibliografia</strong></p><ul><li>BESEN, José Artulino. Agostinho e os Pais do Ocidente. Disponível em: &lt;http://www.pime.org.br/missaojovem/mjhistdaigpais2.htm&gt;. Acesso em 21 de maio de 2009.</li><li>DILMAN, Ilham. Free Will: An Historical and Philosophical Introduction. Florence, KY, USA: Routledge, 1999.</li><li> LUCENA, Elisa. O Problema do Mal em Agostinho. Disponível em: &lt;http://www.ufpel.edu.br/ich/filosofiamedieval/pdf/monografia_elisa.pdf&gt;. Acesso em 9 de maio de 2009.</li><li> MORAES NETO, Felipe José de; SIMÕES, Adelson Cheibel. O Livre-Arbítrio e a Relação com o Criador, no Livro III, da obra O Livre-Arbítrio de Santo Agostinho. Disponível em: &lt;http://www.fapas.edu.br/frontistes/artigos/Artigo%2006.doc&gt;. Acesso em 9 de maio de 2009.</li><li> SANTO AGOSTINHO. Confissões. São Paulo: Nova Cultural, 1999. (Coleção &#8220;OS PENSADORES&#8221;). Tradução de J. Oliveira Santos, S.J., e A. Ambrósio de Pina, S.J.</li></ul> Recomendo que leia:<ul><li><a href="http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/obras-filosoficas/audiobook-confissoes-de-santo-agostinho/" rel="bookmark" title="26 de janeiro de 2010">Audiobook Confissões de Santo Agostinho</a></li><li><a href="http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/pensamento-filosofico/ideais-de-santo-agostinho/" rel="bookmark" title="17 de outubro de 2009">Ideais de Santo Agostinho</a></li><li><a href="http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/biografia/biografia-de-erasmo-de-roterda/" rel="bookmark" title="27 de outubro de 2009">Biografia de Erasmo de Roterdã</a></li><li><a href="http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/biografia/biografia-de-tommaso-campanella/" rel="bookmark" title="22 de outubro de 2009">Biografia de Tommaso Campanella</a></li><li><a href="http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/pensamento-filosofico/ideais-de-tommaso-campanella/" rel="bookmark" title="22 de outubro de 2009">Ideais de Tommaso Campanella</a></li></ul><!-- Similar Posts took 7.791 ms -->]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.cultura.dequalidade.com.br/index.php/biografia/biografia-de-santo-agostinho/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>2</slash:comments> </item> </channel> </rss>
